Brasil espera gerar US$ 125 milhões com a Internacionalização de PMEs brasileiras

São Paulo (EFE).- A internacionalização de pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras gerou cerca de US$ 125 milhões em expectativas de negócios desde 2023, permitindo ao país diversificar mercados, aumentar sua competitividade global e fortalecer a economia.

O número, estimado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), corresponde aos resultados de 39 encontros empresariais realizados dentro da iniciativa “Exporta Mais Brasil”, que já conectou 1.220 empresas com 392 compradores de 69 países.

“O Exporta Mais Brasil mostra que se internacionalizar não é um privilégio das grandes empresas. Estamos construindo oportunidades reais de negócios para pequenos e médios empreendedores de todas as regiões do país”, destacou o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, em um comunicado.

Entre janeiro e o início de setembro, o programa promoveu 11 encontros que, espera-se, gerarão mais de US$ 21 milhões em exportações imediatas e para os próximos meses.

A diretora de Negócios da ApexBrasil, Ana Repezza, afirmou na nota que, além dos números, “o grande valor” do Exporta Mais Brasil é permitir que as PMEs, muitas lideradas por mulheres, se conectem diretamente com compradores internacionais, “sem necessidade de sair do país”.

“Tudo é organizado de forma estratégica, com agendas de negociação preparadas de acordo com o perfil dos participantes”, acrescentou.

Segmentação de mercados

Com o objetivo de diversificar a oferta e ampliar os resultados da iniciativa, a ApexBrasil tem apostado na realização de edições temáticas do Exporta Mais, voltadas a segmentos específicos como cafés especiais, alimentos e bebidas, máquinas e equipamentos agrícolas, frutas frescas e moda e confecção.

Organizada na primeira semana de setembro deste ano, a edição de alimentos e bebidas industrializadas conectou 60 empresas brasileiras com 12 compradores internacionais de México, Portugal, Chile, Indonésia, Turquia, Índia, Jordânia, Catar, África do Sul e Moçambique.

O encontro gerou US$ 1,5 milhão em negócios imediatos e representou uma oportunidade “única” para ampliar contatos e conquistar novos mercados para empresários como Bruno Silva, presidente da empresa Sabor de Coco, que produz de forma sustentável óleo ou petiscos com o fruto.

“Conseguimos aproximações muito fortes com o mercado chileno e o mercado de Portugal”, ressaltou Silva.

Por sua vez, a mexicana Viridiana Fernández, CEO da plataforma QueVaLlevar, enfatizou o potencial de novos sabores no mercado brasileiro, especialmente os produtos amazônicos.

“O açaí e o guaraná me chamaram muito a atenção. Sinto que o açaí pode ser um produto inovador pelo seu sabor no México, já que não é muito conhecido lá”, disse ela, segundo o comunicado da ApexBrasil.

Produtos amazônicos

Diante do alto valor agregado e do enorme potencial desses produtos de origem brasileira, que ainda têm uma participação média em torno de 1% no mercado internacional, a ApexBrasil busca apoiar de maneira mais intensa a internacionalização de empresas do setor, compatível com práticas sustentáveis.

Por isso, em 2023 foi criado o “Exporta Mais Amazônia”, que é focado nos estados da região Norte do país para fomentar as exportações de produtos compatíveis com a proteção da floresta. Este setor já movimenta cerca de US$ 150 bilhões por ano em todo o mundo.

Nas duas primeiras edições do programa, foram gerados cerca de US$ 16 milhões em negócios.

A terceira edição, que será realizada entre 28 de setembro e 2 de outubro em Rio Branco (AC), reunirá mais de 60 empresas brasileiras e 20 internacionais, com compradores de China, Reino Unido, Rússia, Colômbia, África do Sul, Chile e Índia, entre outros países, interessados em diversidade de produtos brasileiros.

O presidente da ApexBrasil reforçou que o desafio do Brasil não é apenas acessar mercados existentes, mas também criar outros.

“Nosso objetivo é que o mundo conheça a riqueza cultural e produtiva abrigada em nossas florestas”, concluiu. EFE