Madri (EFE).- Os quatro membros da torcida organizada do Atlético de Madrid Frente Atlético, que penduraram um boneco com a camisa do atacante brasileiro Vinícius Júnior, do Real Madrid, concordaram com as acusações que prevê penas de multa, proibição de se aproximarem tanto do jogador quanto dos estádios de futebol, embora não irão para a prisão.
Com este acordo entre o Ministério Público, os réus e as acusações — apresentadas por Real Madrid, LaLiga e Federação Espanhola de Futebol — os quatro ultras admitiram os atos, que constituem um crime de ódio e uma ameaça, e foram condenados a penas que variam de 14 a 22 meses de prisão.
Considerando que a pena foi inferior a dois anos de prisão e que eles não tinham antecedentes criminais, somado ao fato de os réus terem enviado uma carta ao tribunal pedindo desculpas ao jogador, todas as partes concordaram em suspender a prisão, sob a condição de que não reincidam por um período de quatro anos para o primeiro réu e três para os outros três.
Na audiência de segunda-feira no Tribunal de Apelações de Madri, um dos quatro réus atuou como porta-voz e leu perante o tribunal a carta na qual pediam desculpas publicamente e expressavam seu “total arrependimento”: “Pedimos desculpas ao jogador (…) Lamentamos sinceramente ter pendurado o boneco”, disse um dos torcedores acusados.
O acordo foi possível porque Vini Jr. renunciou “expressamente” à indenização por esses atos, como enfatizou a magistrada que preside o tribunal.
No total, o primeiro acusado cumpre pena de até 22 meses, enquanto os outros três terão penas de 14 meses pelos mesmos fatos, já que atuaram como coautores, segundo a sentença condenatória que foi lida em voz alta.
O acordo de confissão de culpa ocorreu em uma sessão prévia do julgamento, que não precisará ser realizada, e após a declaração do próprio jogador, há alguns meses, na qual ele explicou por videoconferência que se sentiu ofendido ao saber o que os réus haviam feito, visto que foi feito “por racismo e ódio” contra ele e o Real Madrid, e que se perguntava se ele ou sua família “estavam em perigo”.
Os fatos ocorreram em 26 de janeiro de 2023, antes da partida pela Copa do Rei entre Real Madrid e Atlético de Madrid, no estádio Santiago Bernabéu, quando os acusados penduraram o citado boneco junto com uma faixa com os dizeres “Madrid odeia o Real” perto do centro de treinamento do clube.
A decisão enfatiza que os réus, que são vinculados ao grupo ultra Frente Atlético, que se identifica ideologicamente com a extrema direita, agiram “movidos pelo desprezo e rejeição à cor da pele da vítima”, o jogador brasileiro Vinicius.
Além disso, estão proibidos de usar as redes sociais durante o cumprimento da pena, pois a imagem do boneco enforcado foi publicada por um dos ultras na rede social X. Também não poderão se aproximar a menos de mil metros do centro de treinamento do Real Madrid, bem como de estádios que sediam partidas, incluindo as de times de futebol feminino ou reservas.
O primeiro deles também foi multado em 1.084 euros, e os três restantes foram multados em 720 euros.
Tudo isso se somará a um curso obrigatório de diversidade e não discriminação que eles terão que fazer a pedido do Ministério Público e que está sob a jurisdição das Instituições Penitenciárias. EFE