Jerusalém, 2 jan (EFE).- O número de vítimas dos ataques do Exército de Israel contra a Faixa de Gaza aumentou para 22.185 mortos e 57.035 feridos desde que eclodiu a guerra contra o grupo islâmico Hamas, em 7 de outubro, informou nesta terça-feira o Ministério da Saúde do enclave palestino.
“Durante as últimas 24 horas, a ocupação israelense cometeu 15 massacres contra famílias na Faixa de Gaza, ceifando a vida de 207 mártires e deixando 338 feridos”, afirma um comunicado da pasta de Saúde palestina, controlada pelo Hamas.
Israel e o grupo islâmico chegaram hoje ao seu 88º dia de guerra sem nenhum cessar-fogo à vista, apesar da crescente preocupação internacional com as vítimas e com a crise humanitária em Gaza.
De norte a sul da Faixa, os habitantes de Gaza “testemunharam uma série de ataques com caças, drones e fogo de artilharia, que causaram danos imensos”, indicou a agência de notícias oficial palestina “Wafa”.
Os serviços de emergência do Crescente Vermelho informaram que as tropas israelenses estão atacando suas instalações em Khan Younis, uma região no sul da Faixa que funciona como um reduto miliciano, o que causou várias mortes e feridos, incluindo civis deslocados que se refugiaram nesse local.
“Os drones continuam a disparar nas proximidades do hospital Al Amal e da sede do Crescente Vermelho em Khan Younis”, afirmou um comunicado da organização.
Israel acredita que os líderes seniores do Hamas estão escondidos em Khan Younis, onde nas últimas horas “os ataques aéreos israelenses impactaram ferozmente”, causando vítimas civis, incluindo crianças e mulheres, segundo a “Wafa”.
Em Deir al Balah, cidade no centro do enclave palestino onde ontem morreram nove pessoas, pelo menos 15 civis morreram nesta terça-feira, a maioria mulheres e crianças, devido aos bombardeios, enquanto no vizinho campo de refugiados de Nuseirat “vários civis foram massacrados e outros ficaram feridos em um ataque israelense contra uma casa”, detalhou a agência.
Outro campo de refugiados vizinho, Al Maghazi, foi alvo de ataques de artilharia enquanto as forças navais israelenses também disparavam.
Além disso, no norte do enclave, onde o Exército israelense já assumiu o controle de quase todo o território, “intensos confrontos eclodiram” à medida que os tanques israelenses avançavam, relatou a “Wafa”.
A guerra eclodiu em 7 de outubro, após um ataque massivo do Hamas contra Israel que incluiu o lançamento de foguetes e a infiltração simultânea de cerca de 3.000 milicianos que massacraram cerca de 1.200 pessoas e sequestraram outras 250 em cidades perto de Gaza.
Desde então, o Exército israelense lançou uma forte ofensiva aérea, terrestre e marítima contra o enclave palestino, onde a maioria dos mortos e feridos são crianças e mulheres, enquanto milhares de pessoas estão desaparecidas sob os escombros.
Argumentando que o Hamas utiliza infraestruturas civis para as suas operações militares, Israel bombardeou casas, escolas, hospitais, templos, sítios arqueológicos, estações de tratamento e abastecimento de água, bem como instalações de telecomunicações ou de fornecimento de energia.
A guerra também deixou cerca de 1,9 milhão de pessoas deslocadas em Gaza – 85% da população do enclave – que vivem imersas em uma crise humanitária devido ao colapso dos hospitais, ao surto de epidemias e à escassez de água potável, eletricidade e combustível. EFE