Dmitry Peskov. EFE/PAVEL BEDNYAKOV / KREMLIN POOL

Rússia afirma que papa se pronunciou a favor de negociações, não da rendição da Ucrânia

Moscou/Kiev (EFE).- O Kremlin afirmou nesta segunda-feira que o papa Francisco, ao falar sobre o hasteamento da bandeira branca – declaração que provocou protestos na Ucrânia -, se pronunciou a favor de negociações para pôr fim ao conflito, e não da rendição de Kiev.

“Entendo que as palavras do pontífice tinham um contexto mais amplo”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em sua entrevista coletiva diária, em resposta a uma pergunta sobre os comentários do pontífice terem sido interpretados em Kiev como um apelo à rendição à Rússia.

Negociações, não rendição

O comunicado acrescenta que o significado das palavras do chefe da Igreja Católica é transparente, pois “ele falou a favor das negociações”.

“Vocês sabem que (o presidente russo Vladimir) Putin também declarou em inúmeras ocasiões que estamos prontos para resolver nossos problemas por meio de negociações, e esse é o caminho preferível”, disse Peskov.

O porta-voz comentou que todos os pedidos de negociações “se chocam com a recusa categórica do regime de Kiev”, que busca o apoio de “muitos países europeus para continuar fazendo todo o possível para condenar a Rússia ao que eles consideram uma derrota estratégica inevitável”.

“Esse é um erro muito profundo, um erro muito profundo, e o desenvolvimento dos eventos, antes de tudo no campo de batalha, demonstra isso muito claramente”, disse o porta-voz do Kremlin.

Em uma entrevista à “Rádio Televisão Suíça”, cujos trechos foram publicados no último sábado, o papa disse que, na guerra na Ucrânia, é preciso ter “a coragem da bandeira branca” e “negociar”, que é uma “palavra corajosa”, para pôr fim ao conflito.

“Acredito que é mais forte aquele que vê a situação, que pensa no povo, que tem a coragem da bandeira branca, de negociar. E hoje é possível negociar com a ajuda das potências internacionais. A palavra negociar é uma palavra corajosa”, argumentou o pontífice.

Bandeira amarela e a azul

As palavras do papa foram duramente criticadas na Ucrânia, que pediu ao Vaticano que apoiasse a causa do povo ucraniano.

“Nossa bandeira é amarela e azul. Essa é a bandeira pela qual vivemos, morremos e persistimos. Jamais hastearemos qualquer outra bandeira”, escreveu o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, na rede social X.

O chefe da diplomacia ucraniana pediu à Santa Sé que “não repita os erros do passado e apoie a Ucrânia e seu povo em sua justa luta por suas vidas” e, ao mesmo tempo, agradeceu ao papa por suas constantes orações pela paz.

Ele expressou a esperança de que “após dois anos de guerra devastadora no coração da Europa, o pontífice encontrará a oportunidade de fazer uma visita apostólica à Ucrânia para apoiar mais de um milhão de católicos ucranianos, mais de cinco milhões de católicos gregos, todos os cristãos e todos os ucranianos”. EFE