Josep Borrell. EFE/Arquivo/Mariscal

UE afirma não reconhecer eleições russas em territórios ocupados da Ucrânia

Bruxelas (EFE).- A União Europeia (UE) não reconheceu nesta segunda-feira a realização e os resultados das eleições presidenciais da Rússia nos territórios ocupados da Ucrânia e advertiu sobre as consequências para seus organizadores.

“A UE reitera que não reconhece e nunca reconhecerá a realização das chamadas ‘eleições’ nos territórios da Ucrânia ou seus resultados. Elas são nulas e sem efeito e não podem ter nenhum efeito legal”, disse o alto representante da UE para Relações Exteriores e Segurança, Josep Borrell, em uma declaração em nome dos Estados-membros.

O diplomata espanhol acrescentou que os líderes políticos russos e os envolvidos em sua organização “devem enfrentar as consequências dessas ações ilegais”.

Na opinião da UE, as eleições presidenciais realizadas pela Rússia de 15 a 17 de março ocorreram “em um ambiente altamente restrito, também exacerbado pela guerra ilegal de agressão da Rússia contra a Ucrânia”.

“As autoridades russas continuaram a aumentar a repressão interna sistemática, tendo como alvo políticos da oposição, organizações da sociedade civil, mídia independente e outras vozes críticas por meio do uso de legislação repressiva e sentenças de prisão com motivação política”, argumentou.

Borrell comentou que “a morte chocante do político da oposição Alexey Navalny na véspera das eleições é mais um sinal da aceleração da repressão sistemática”.

Para a UE, as eleições, que mais uma vez foram vencidas pelo presidente Vladimir Putin, ocorreram “em um espaço político cada vez menor, o que resultou em um aumento alarmante das violações dos direitos civis e políticos”, e no qual muitos candidatos, incluindo todos os que se opunham à guerra de agressão da Rússia, foram impedidos de concorrer.

Nesse contexto, os eleitores russos foram “privados de uma escolha real” e “seu acesso a informações precisas foi severamente limitado”.

A UE também lamentou a decisão das autoridades russas de não convidar observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa para suas eleições, o que considerou “contrário aos compromissos da Rússia com a OSCE” e que “privou os eleitores e as instituições russas de uma avaliação imparcial e independente” das eleições.

Ao chegar nesta segunda-feira a uma reunião de ministros das Relações Exteriores da UE, Borrell disse aos repórteres que espera um acordo político para pressionar por sanções relacionadas à morte de Navalny em uma prisão no Ártico.

Ele também afirmou esperar que os ministros aprovem oficialmente o fundo de assistência para a Ucrânia incluído no Mecanismo Europeu para a Paz com 5 bilhões de euros para este ano, a fim de “aumentar o apoio militar à Ucrânia, que é muito necessário”.

Além disso, o alto representante expressou a esperança de um “acordo político definitivo por parte dos ministros” para usar os lucros inesperados gerados pelos ativos russos congelados devido às sanções impostas pela invasão da Ucrânia.

“Espero que uma decisão política seja finalmente tomada para aumentar nossa capacidade de financiar a defesa da Ucrânia. Espero que um acordo político sobre isso seja alcançado hoje”, concluiu.

Com Putin “permanecendo no poder, está claro que a Rússia não está mudando de rumo”, disse o ministro das Relações Exteriores da Lituânia, Krisjanis Karins, acrescentando que para a Ucrânia “armas e munições não podem esperar hoje”.

Karinis alertou que qualquer futura gestão dos Estados Unidos estaria mais focada no Pacífico e defendeu a inclusão do manganês no próximo pacote de sanções contra a Rússia, para que sua indústria militar não se beneficie desse elemento.

O ministro da Estônia, Margus Tsahkna, opinou que na Rússia não houve “eleição”, apenas uma nomeação de Putin como líder, quando seu “lugar de direito é em Haia, como criminoso de guerra”.

“Com essas eleições, a postura que a Rússia apresentará à Europa nos próximos anos é cada vez mais agressiva. Devemos nos preparar para uma ameaça estratégica de longo prazo, até mesmo existencial”, disse a ministra finlandesa, Elina Valtonen. EFE