Moscou (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, cuja reeleição foi confirmada nesta quinta-feira pela Comissão Eleitoral Central (CEC), garantiu que os russos não só lhe concederam uma “vitória formal”, mas que apoiaram esmagadoramente a atual política do Kremlin nas eleições presidenciais realizadas de 15 a 17 deste mês.
“Para mim isto é mais importante do que a vitória formal nas eleições. É o apoio ao atual rumo político e econômico do nosso país”, disse Putin, que permanecerá no Kremlin por mais seis anos.
Putin, de 71 anos, admitiu que os resultados devem ser melhores, mas acrescentou – sem se referir à guerra na Ucrânia – que os alcançados até agora “tornam a Rússia mais forte e independente”.
“As eleições mostraram que a Rússia é hoje uma grande família unida e que avançamos juntos pelo caminho histórico que escolhemos. Seguros de si, da sua força e de seu futuro. Agradeço a vocês”, afirmou.
Ele destacou que a importância das eleições após uma “tensa” campanha eleitoral foi compreendida pela “absoluta maioria dos eleitores que foram às urnas”.
“Agradeço a sua confiança. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para justificá-la. Entendo que tal nível de confiança aumenta a responsabilidade pela Rússia, pelo bem-estar do nosso povo, e exige ainda mais dedicação e eficiência, tanto de mim pessoalmente e de toda a nossa equipe”, disse.
A presidente da CEC, Ella Pamfilova, confirmou hoje a vitória de Putin com 87,28% dos votos (76,2 milhões) nas eleições presidenciais da Rússia.
Pamfilova comparou estes resultados com 2018 – quando a guerra ainda não tinha iniciado na Ucrânia – e destacou que o número de pessoas que votaram em Putin aumentou praticamente em 20 milhões, fato que associou um maior número “de eleitores com uma posição civil mais firme”.
“Muitos dos que o apoiaram (Putin em 2018) simplesmente não participaram naquelas eleições porque tudo estava calmo e viviam confortavelmente. Agora compreenderam que isso não é o suficiente”, disse.
A oposição russa denunciou a falsificação em massa destas eleições através da mobilização forçada de funcionários públicos e da manipulação da contagem, e exigiu que o Ocidente não reconhecesse Putin como o presidente legítimo da Rússia.
Os países ocidentais e a Otan denunciaram que as eleições russas não foram livres e se recusaram a reconhecer os resultados da votação realizada nas regiões ucranianas anexadas por Moscou em setembro de 2022.
Além disso, criticaram a ausência de observadores ocidentais e o fato de nenhum candidato opositor partidário da paz ter concorrido às eleições.
Putin pôde participar nas eleições depois de reformar em 2020 as cláusulas da Constituição que o impediam de continuar no Kremlin, após o que poderá concorrer novamente à reeleição em 2030, quando completará 77 anos. EFE