Jerusalém (EFE).- O total de vítimas da guerra na Faixa de Gaza, que se aproxima de seis meses de duração, chegou nesta quinta-feira a 32.552 mortos e 74.980 feridos desde 7 de outubro do ano passado, enquanto mais de um milhão de pessoas continuam enfrentando uma escassez extrema de alimentos.
“A ocupação israelense cometeu seis massacres contra famílias na Faixa de Gaza, causando 62 mortos e 91 feridos em hospitais durante as últimas 24 horas”, informou hoje o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas.
Além disso, segundo a ONU, mais de 1,1 milhão de pessoas continuam sofrendo com um nível extremo de insegurança alimentar em Gaza, apesar do que “persistem impedimentos ao acesso (para ajuda humanitária)”.
“Não há alternativa à entrega de ajuda em grande escala por via terrestre, a fim de conseguir ajuda suficiente para salvar vidas, especialmente no norte”, afirmou hoje o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) em seu perfil na rede social X.
Desde outubro, pelo menos 27 crianças morreram de desnutrição e desidratação grave, entre os mais de 14 mil menores que perderam a vida nesta guerra, segundo dados da pasta de Saúde de Gaza, que em guerras anteriores de intensidade muito menor realizou uma contagem precisa de vítimas.
“Como parte da equipe da UTI do hospital Kamal Adwan (no norte de Gaza), notamos claramente o afluxo de recém-nascidos que sofrem desnutrição aguda e desidratação grave avançada”, disse um médico deste centro de saúde à emissora catariana “Al Jazeera”.
Cerco a hospital
Além disso, o Exército israelense confirmou nesta quinta-feira que a tomada militar do hospital Al Shifa, na Cidade de Gaza, no norte, prossegue pelo 11º dia consecutivo, período durante o qual dizem ter matado quase 200 milicianos, enquanto um grupo humanitário os acusa de execuções extrajudiciais de crianças.
“Cerca de 200 terroristas foram eliminados na área hospitalar desde o início da atividade”, detalhou hoje o Exército israelense, que também mantém os seus ataques na zona de Al Amal, base de outro dos hospitais mais importantes de Khan Younis (sul), agora inoperante.
De acordo com um comunicado militar, os milicianos atacaram as tropas israelenses “de dentro e de fora do edifício de emergência do Hospital Al Shifa”, enquanto civis, pacientes e equipamento médico foram evacuados para outras instalações.
Ontem, a ONG Monitor Euromediterrâneo de Direitos Humanos, com sede em Genebra, denunciou na última semana a execução de 13 crianças – de entre quatro e 16 anos – por fogo direto israelense contra o complexo médico de Al Shifa e seus arredores, no que dizem constituir “um crime de guerra”.
“Há mais de uma semana o Exército israelense vem realizando operações militares sistemáticas e horríveis dentro e ao redor” do hospital, afirmou a organização em comunicado.
“Esses crimes incluem execuções extrajudiciais e assassinatos deliberados de civis palestinos”, acrescentou.
No último dia 25 de março, o Conselho de Segurança da ONU aprovou, pela primeira vez, uma resolução exigindo inequivocamente um cessar-fogo imediato em Gaza durante o mês do Ramadã (que termina em 9 de abril) seguido de “um cessar-fogo duradouro”, mas ainda não há qualquer sinal de sua implementação. EFE