Nações Unidas (EFE).- O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou nesta terça-feira o ataque contra o consulado do Irã em Damasco, ocorrido ontem e pelo qual Israel assumiu a responsabilidade, ainda que indiretamente.
Guterres, que não cita o nome de Israel na sua declaração de condenação, lembra que existe “o princípio da inviolabilidade dos edifícios diplomáticos e consulares, que deve ser respeitado em todos os casos de acordo com a legalidade internacional”.
Esta lei internacional impõe “obrigações a todas as partes”, que também incluem “evitar ataques que possam prejudicar civis ou danificar infraestruturas civis”.
No ataque de ontem em Damasco, morreram 13 pessoas, sete delas membros da Guarda Revolucionária do Irã, entre elas o chefe da Força Quds na Síria e no Líbano, o brigadeiro-general Mohamed Reza Zahedi, e seu braço-direito, o general de brigada Mohamed Hadi Haj Rahimi.
Segundo Teerã, os militares iranianos tinham imunidade diplomática.
Além disso, seis cidadãos sírios foram mortos no ataque, segundo confirmou hoje o embaixador iraniano em Damasco, Hossein Akbari.
Israel nunca admite abertamente operações extraterritoriais, mas hoje o ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, disse ao parlamento que seu país está em uma guerra em múltiplas frentes e que atua “em todas as partes, todos os dias” para dissuadir ameaças, o que foi interpretado como uma admissão velada da sua responsabilidade no ataque de ontem.
Em sua declaração de condenação, Guterres também advertiu que no Oriente Médio, uma região altamente volátil, “todas as partes envolvidas devem exercer o máximo autocontrole para evitar uma nova escalada”. EFE