Vladimir Putin. EFE/Arquivo/DMITRY ASTAKHOV / SPUTNIK / GOVERNMENT PRESS SERVICE POOL

Putin diz que Rússia não permitirá um conflito mundial, apesar do revanchismo ocidental

Moscou (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira que a Rússia não permitirá a eclosão de um conflito mundial apesar do que considera uma vingança ocidental, durante seu discurso por ocasião do 79º aniversário da vitória sobre Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

“A Rússia fará todo o possível para evitar um confronto global”, disse Putin durante o tradicional desfile militar na Praça Vermelha, ao mesmo tempo que advertiu que as forças estratégicas russas estão “sempre” em prontidão para o combate.

Em uma clara alusão aos Estados Unidos e à Otan, Putin destacou que Moscou rejeita as reivindicações “de exclusividade de qualquer país ou aliança”.

“Não permitiremos que ninguém nos ameace”, disse, após ordenar um minuto de silêncio para aqueles que morreram na guerra mundial em que a União Soviética perdeu mais de 26 milhões de pessoas, incluindo civis e soldados, entre 1941 e 1945.

Acusou as “elites ocidentais” de apostarem no “revanchismo” e de justificarem “os atuais seguidores dos nazis”, que é parte de uma política de instigação de conflitos regionais, de hostilidade entre povos e religiões, e de contenção dos novos centros independentes de desenvolvimento.

Putin denunciou as tentativas dos “colonialistas” ocidentais de “distorcer” a verdade sobre a Segunda Guerra Mundial, desmantelando monumentos aos soldados soviéticos e colocando os “traidores e cúmplices” de Hitler em um pedestal.

No entanto, destacou que a Rússia nunca subestimou a importância do papel dos aliados ocidentais na derrota do nazismo e recordou também a luta da China contra o imperialismo japonês.

“Nunca esqueceremos a nossa luta comum e as inspiradoras tradições de aliança”, disse.

Mais de 9 mil soldados participam no desfile que começou como é tradicional às 10h (horário local, 4h de Brasília), além de cerca de 70 equipes de combate.

Entre os soldados que desfilam pela Praça Vermelha estão aqueles que lutaram na Ucrânia no que na Rússia é chamada de “operação militar especial”.

Participam no evento os líderes de seis antigas repúblicas soviéticas, incluindo Belarus e Cazaquistão; o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel; e os mandatários de Laos e Guiné-Bissau.

Ao assumir o cargo para um quinto mandato de seis anos, Putin ofereceu esta semana ao Ocidente um diálogo sobre segurança e estabilidade estratégica, mas na última segunda, ordenou ao Distrito Militar do Sul que realizasse manobras tácticas de armas nucleares em resposta às provocações e ameaças dos EUA e das potências europeias.

A Otan negou que pretenda enviar tropas para a Ucrânia, uma linha vermelha para o Kremlin, que iniciou em fevereiro de 2022 uma campanha militar no país vizinho. EFE