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Exército israelense confirma fim da operação em Khan Younis, com centenas de mortos

Jerusalém (EFE).- O Exército de Israel confirmou nesta terça-feira o fim das suas operações terrestres em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, depois de uma nova ofensiva que durou uma semana e que já matou mais de uma centena de palestinos e deslocou outros 400 mil.

“Na última semana, as tropas eliminaram mais de 150 milicianos, desmantelaram túneis, armazéns de armas, infraestruturas e localizaram armas”, afirmou o comunicado militar israelense.

As Forças Armadas de Israel detalharam que estas operações permitiram resgatar os corpos de cinco reféns – quatro soldados e um civil – que morreram nos ataques de 7 de outubro, nos quais cerca de 1.200 israelenses perderam a vida e outros 251 foram raptados, dos quais 111 permanecem em Gaza.

Segundo o serviço de Defesa Civil de Gaza, os ataques israelenses destruíram 90% da infraestrutura da cidade, a segunda maior da Faixa, depois da capital.

No dia 22 de julho, Israel ordenou a evacuação da parte oriental de Khan Younis e enviou seus residentes para a “zona humanitária” de Al Mawasi, cujo perímetro foi reduzido devido à suposta presença de infraestruturas islâmicas em uma das suas zonas fronteiriças.

Hoje, em um ambiente de extrema tensão e incerteza, alguns moradores de Khan Younis, deslocados há mais de uma semana, aventuraram-se a regressar aos seus bairros, segundo relataram à Agência EFE fontes de Gaza.

Na ausência de tanques israelenses nas ruas, vários civis conseguiram chegar a algumas zonas periféricas do bairro Bani Suhaila, onde recuperaram 11 corpos perto de uma escola e de um centro cultural.

“Ainda temos 200 notificações e denúncias de desaparecimento de cidadãos do leste de Khan Younis”, alertou a Defesa Civil, que continua trabalhando para recuperar os corpos na área.

Apesar do anúncio do Exército israelense, a Defesa Civil pediu aos cidadãos para que não se dispersem na zona leste da cidade, uma vez que ainda pode haver soldados ali, o que poderia aumentar o número de vítimas.

Por outro lado, as Forças Armadas de Israel afirmaram que continuam a operar no centro de Gaza com ataques seletivos, nos quais eliminaram “terroristas” e suas infraestruturas, sem fornecer mais detalhes no comunicado.

“A Força Aérea Israelense matou o miliciano Ibrahim Hegazi, responsável pelos mísseis antitanque no batalhão Nuseirat (centro do enclave) do Hamas”, acrescentaram.

Da mesma forma, “as tropas mantiveram suas operações na área de Tal al Sultan”, bairro ocidental de Rafah, no extremo sul de Gaza, onde disseram ter matado vários milicianos.

Israel ataca incansavelmente o enclave palestino por terra, ar e mar e deixou pelo menos 39.363 mortos, 90.923 feridos e cerca de 10 mil desaparecidos sob os escombros desde 7 de outubro, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas.

Além disso, cerca de dois milhões de habitantes de Gaza – quase toda a população – estão deslocados e sobrevivem em uma crise humanitária sem precedentes, no meio do colapso e da destruição de hospitais, de surtos epidêmicos e da escassez constante de água, alimentos e eletricidade. EFE