Jerusalém (EFE).- Pelo menos 20 pessoas foram mortas nas últimas horas em vários bombardeios israelenses na Faixa de Gaza, elevando o número total de óbitos desde o início da guerra para 40.265, de acordo com as autoridades do enclave.
O Exército israelense intensificou seus ataques no centro e no sul do enclave depois de detectar a presença de infraestrutura militar e combatentes palestinos.
“Com base na inteligência precisa do Exército, que indica a presença de infraestrutura terrorista e de terroristas do Hamas na área de Khan Younis (sul) e nos arredores de Deir al-Balah (centro), as tropas intensificaram suas atividades na área”, detalhou um comunicado militar nesta quinta-feira.
O Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, controlado pelo Hamas, também disse que 42 habitantes de Gaza foram mortos e 163 ficaram feridos por fogo israelense nas últimas 24 horas.
Esses últimos números elevam a contagem total desde o início da guerra para 40.265 mortos e 93.144 feridos, sem contar os mais de 10.000 corpos ainda sob escombros ou nas estradas de Gaza que as equipes de resgate ainda não conseguiram alcançar.
De acordo com o porta-voz da Defesa Civil de Gaza, Mahmud Basal, pelo menos 11 pessoas foram mortas depois da meia-noite em um bombardeio israelense contra a residência de uma família na cidade de Beit Lahia, no norte do enclave.
A agência de notícias oficial palestina, “Wafa”, citando fontes médicas, noticiou que a maioria das vítimas do ataque eram mulheres e crianças, que chegaram ao hospital Kamal Adwan, em Beit Lahia, com queimaduras graves.
Três outros corpos foram desenterrados por equipes de resgate da Defesa Civil após um ataque a um prédio residencial no campo de refugiados de Jabalia, também no norte de Gaza.
Enquanto isso, pelo menos seis pessoas foram mortas e outras quatro ficaram feridas em um bombardeio israelense de manhã contra uma casa no campo de refugiados de Maghazi, no centro da Faixa, muito perto da cidade de Deir al-Balah, que está sob incursão terrestre.
A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) declarou nesta quinta-feira que milhares de pessoas de Deir al-Balah e Khan Younis, incluindo sua equipe, estão fugindo para a área “humanitária” cada vez menor de Mawasi, na costa de Gaza, onde centenas de milhares de pessoas deslocadas estão amontoadas em condições subumanas, seguindo as últimas ordens de evacuação israelenses.
“O bombardeio constante está forçando as pessoas a buscarem abrigo em um espaço cada vez menor, de modo que as condições estão piorando e as doenças continuarão a se espalhar, afetando particularmente os mais vulneráveis, como as crianças”, disse Julie Faucon, coordenadora médica da MSF, em comunicado.
Faucon comentou que suas equipes estão vendo um aumento nas infecções de pele, como a sarna, como resultado da falta de água e produtos de higiene, como sabão, que não passam pelos controles israelenses de acesso a Gaza.
O Exército israelense divulgou que, nas últimas horas, eliminou cerca de 50 supostos combatentes palestinos no bairro de Tal al-Sultan, em Rafah, a cidade mais ao sul da Faixa de Gaza, onde as tropas vêm realizando uma incursão terrestre desde o início de maio para eliminar a chamada “Brigada Rafah” do Hamas.
Na quarta-feira, o ministro da Defesa, Yoav Gallant, anunciou que os quatro batalhões que compõem a brigada foram eliminados, mas sem mencionar um possível fim das hostilidades na área, e que a passagem da fronteira com o Egito, por onde a maior parte da ajuda humanitária entrava anteriormente no enclave, foi fechada. EFE