Astana/Moscou (EFE).- O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, garantiu nesta quinta-feira que seu país está aberto ao diálogo com a futura administração dos Estados Unidos após a vitória do republicano Donald Trump nas eleições presidenciais.
“Veremos se há propostas. Insisto, não fomos nós que congelamos as relações e não somos nós que deveríamos propor sua restauração”, disse Lavrov em declarações feitas durante sua visita ao Cazaquistão.
“Mas se houver uma iniciativa sincera de nos sentarmos sem exigências unilaterais e conversarmos sobre onde estamos e como avançar, não seremos nós que nos oporemos”, acrescentou.
Em relação aos futuros contatos com a equipe de Trump, o ministro ressaltou que Moscou “nunca” se opôs ao diálogo e que o presidente russo, Vladimir Putin, repetiu em inúmeras ocasiões que “falar é sempre melhor do que isolar-se”.
O chefe da diplomacia russa salientou que os problemas nas relações russo-americanas são “muito profundos” e têm origem na atitude da elite americana de tentar eliminar qualquer concorrente na arena internacional que ameace a hegemonia do país.
Solução pacífica para Ucrânia
Quanto a uma solução pacífica na Ucrânia, comentou que Moscou está disposto a analisar qualquer “ideia concreta e razoável”, embora tenha lamentado que os aliados europeus dos Estados Unidos insistem em apoiar os planos do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que apenas levam a situação a um “beco sem saída”.
Nesse sentido, denunciou que muitos políticos ocidentais “sensatos” estão cientes disso, mas “não podem mais renunciar às suas posições (…) de apoio total à Ucrânia”.
Lavrov assegurou também que Moscou não colocará obstáculos se Trump decidir substituir sua atual embaixadora na Rússia, Lynne Tracy, ao mesmo tempo em que anunciou que o futuro embaixador russo em Washington ainda não passou pelo processo de seleção.
Contato entre Putin e Trump
Por sua vez, o porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, não descartou hoje possíveis contatos entre Putin e Trump antes da tomada de posse do presidente eleito americano, em 20 de janeiro.
“Não está descartado. Ele disse que ligará para Putin antes da posse. Aí estão suas palavras”, afirmou Peskov, sem confirmar quem representará a Rússia na cerimônia de posse do 47º presidente americano.
Até o momento, Putin não felicitou Trump por sua vitória eleitoral, algo que vários líderes mundiais fizeram, incluindo vários do espaço pós-soviético, como Zelensky e o principal aliado do Kremlin, o bielorrusso Aleksandr Lukashenko.
A expectativa é que Putin faça alusão a esta questão durante seu discurso esta tarde no Valdai Discussion Club, que acontecerá no balneário de Sochi, no Mar Negro. EFE