Gennady Gatilov. EFE/Arquivo/SALVATORE DI NOLFI

Rússia manifesta disposição ao diálogo com novo governo de Trump

Genebra (EFE).- A Rússia está pronta para iniciar um diálogo “baseado em seu interesse nacional” com o novo governo do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, um contato “que faltou” durante o mandato de Joe Biden, disse nesta quinta-feira o embaixador russo nas Nações Unidas em Genebra, Gennady Gatilov.

No entanto, Gatilov ressaltou que o governo presidido por Vladimir Putin “não tem ilusões” sobre o próximo Executivo e o novo Congresso nos Estados Unidos, ou sobre uma eventual mudança radical na política dos EUA em relação à Rússia.

O diplomata lembrou que Trump prometeu que resolveria a guerra com a Ucrânia em 24 horas, o que ele garantiu não ser possível, embora tenha afirmado que “se ele (Trump) sugerir algo para iniciar um processo político, será bem-vindo”.

Gatilov, ex-vice-ministro das Relações Exteriores e figura influente na política externa russa, destacou que, durante o primeiro mandato de Trump, o regime de sanções internacionais foi implementado e “outras legislações contra a Rússia foram adotadas”.

Ele insistiu, no entanto, que a Rússia está “aberta e pronta para cooperar pelo interesse nacional”.

Trump e organizações internacionais

Além disso, comentou que seu país espera que a atitude de Trump em relação às organizações internacionais, especialmente a ONU e suas agências humanitárias, mude em relação ao seu primeiro mandato, quando o republicano iniciou movimentos para retirar os EUA da Unesco, o braço de educação e cultura da ONU, e da Organização Mundial da Saúde.

Em seguida, os EUA também se retiraram do Conselho de Direitos Humanos e passaram a fazer cortes significativos em suas contribuições para todas essas entidades.

Esses procedimentos foram posteriormente revertidos pela atual administração de Joe Biden.

“O comportamento anterior deles era cortar as contribuições, a atitude deles era muito negativa e não sabemos qual será a posição deles agora, esperamos que mude. Se houver uma certa disposição e desejo por parte dos americanos de realizar negociações reais baseadas na realidade local, estamos abertos”, analisou.

O diplomata acrescentou que, se houver conversas com o verdadeiro espírito de chegar a um resultado positivo, provavelmente nem serão necessários mediadores e a Rússia e a Ucrânia poderão sentar-se diretamente em uma mesa de negociações. EFE