EFE/Arquivo/MOHAMMED SABER

Três grandes hospitais no norte de Gaza têm serviços suspensos devido a cerco israelense

Jerusalém (EFE) – Os três principais hospitais que continuavam a funcionar, ainda que parcialmente, no norte da Faixa de Gaza – Kamal Adwan, Indonésio e Al Awda – estão com os serviços suspensos devido ao cerco de mais de 80 dias e aos contínuos ataques das tropas israelenses, denunciou nesta terça-feira o Ministério da Saúde de Gaza, cujo governo é controlado pelo grupo islâmico Hamas.

“As forças de ocupação israelenses deixaram os três hospitais operacionais no norte de Gaza fora de serviço devido aos contínuos ataques que levaram à interrupção de suas atividades e à sua destruição”, disse o diretor de hospitais de campanha do Ministério, Marwan al Hams.

Ele contou que a situação, que já era crítica, especialmente no hospital Kamal Adwan, localizado em Beit Lahia, piorou ontem, quando as Forças de Defesa de Israel (FDI) ordenaram a transferência de pacientes dessa instituição para o Hospital Indonésio, que mais tarde foi invadido pelas tropas, que teriam retirado todos à força.

“Os ataques contínuos levantaram preocupações sobre o destino do Hospital Al Awda (em Jabalia), que abriga cerca de 250 pacientes e também está sob forte cerco e ameaças contínuas”, enfatizou Hams.

O Ministério da Saúde da Faixa de Gaza denunciou o fato como uma “violação flagrante da lei humanitária internacional”, que proíbe o ataque a instalações médicas, e pediu uma ação da comunidade internacional para impedir esses “crimes de guerra”.

Esses três hospitais continuaram a funcionar sob ataques pesados por mais de 80 dias depois que as FDI lançaram uma ofensiva contra o Hamas – no contexto da guerra iniciada com o ataque que o grupo realizou a Israel em outubro de 2023 – no norte do enclave, que desde então deixou mais de 4 mil mortos e desaparecidos.

Guerra entre Israel e Hamas

Israel alega que hospitais e outras instalações civis na Faixa de Gaza são usados por combatentes do Hamas como bases, esconderijos e depósitos de armas.

“Ainda estamos sendo atacados”, disse à Agência EFE Mohamed Salha, diretor interino do Al Awda, que também relatou que um tanque e um atirador de elite miram o prédio.

Por sua vez, o diretor do Kamal Adwan, Hussam Abu Safiya, afirmou que Israel voltou a atacar diretamente o hospital, com dois robôs explosivos detonados a apenas 50 metros do centro, ferindo cerca de 20 pacientes e equipes médicas.

Além disso, a Força Aérea israelense realizou novamente ataques aéreos com drones contra o hospital. EFE