Jerusalém (EFE)- O membro do gabinete político do Hamas Izzat al-Rishq declarou que os comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre assumir o controle da Faixa de Gaza refletem uma “profunda ignorância” sobre a Palestina e o Oriente Médio, classificando-os como “absurdos”.
“Gaza não é uma propriedade que pode ser comprada e vendida, e é parte integrante de nossa terra palestina ocupada”, disse o dirigente do grupo islâmico em um comunicado.
Al Rishq denunciou que abordar a questão palestina com a mentalidade de um investidor imobiliário é “uma receita para o fracasso” e insistiu que o povo palestino frustrará quaisquer planos de deslocamento ou deportação.
“Gaza pertence ao seu povo, e eles não a abandonarão, exceto para retornar às suas cidades e vilas que foram ocupadas em 1948”, afirmou, referindo-se à Nakba (‘Catástrofe’ em árabe), a expulsão forçada de cerca de 700.000 palestinos de suas casas devido à ação de milícias judaicas na guerra árabe-israelense. Hoje, essas comunidades estão localizadas em território israelense.
Outro dirigente do Hamas, Khalil al-Hayya, também disse, durante uma comemoração da Revolução Islâmica do Irã nesta segunda-feira, que os planos do magnata estavam “fadados ao fracasso”.
No domingo, Trump reiterou seus planos para Gaza, que, segundo ele, incluem “comprar” e “possuir” o enclave: “Estamos comprometidos em possuí-la, tomar conta e garantir que o Hamas não retorne”, disse o presidente americano a repórteres durante uma viagem no Força Aérea Um.
Quando Trump se encontrou com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu na Casa Branca na segunda-feira passada, chegou a expressar sua disposição de controlar Gaza e reconstruí-la como a “Riviera do Oriente Médio”.
O magnata também expressou seu apoio a um plano para que os palestinos deixem seu país “voluntariamente” e se desloquem para países vizinhos, como Egito e Jordânia.
Após o respaldo de Trump, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, ordenou na quinta-feira que o Exército preparasse um plano para permitir a livre passagem de civis que buscam deixar Gaza.
Pouco depois de desembarcar em Israel no domingo, Netanyahu disse em uma reunião de gabinete que a visita aos EUA trouxe “enormes conquistas que podem garantir a segurança de Israel por gerações”.
Embora não tenha dado detalhes sobre o que foi discutido durante a visita que descreveu como “histórica”, o premiê israelense especificou que havia conversado com Trump sobre sua visão “revolucionária” e “criativa” para a futura gestão de Gaza após a guerra, que exclui tanto o grupo islâmico Hamas quanto a Autoridade Nacional Palestina, que governa pequenas áreas da Cisjordânia devido à ocupação israelense. EFE