Sergey Lavrov. EFE/Arquivo/MAXIM SHIPENKOV

Lavrov estima que centenas de bilhões de dólares foram desperdiçados na Ucrânia

Johanesburgo (EFE).- O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, estimou nesta sexta-feira que centenas de bilhões de dólares de dinheiro ocidental foram desperdiçados em assistência militar à Ucrânia, em linha com as acusações feitas pelos Estados Unidos.

“Sem dúvida, o caso mais flagrante é o do regime do (presidente ucraniano Volodymir) Zelensky, que consome ou consumiu pelo menos centenas e centenas de bilhões de dólares em ajuda militar”, afirmou Lavrov em entrevista coletiva ao final da reunião dos ministros das Relações Exteriores do G20 em Johanesburgo, na África do Sul.

O chanceler russo acrescentou que esse valor “poderia ter sido gasto em programas de assistência ao desenvolvimento de importância vital em todo o mundo, especialmente na África”.

O presidente dos EUA, Donald Trump, acusou Zelensky de desperdiçar US$ 350 bilhões em ajuda, embora os números oficiais digam que Washington enviou cerca de US$ 120 bilhões para Kiev em três anos de guerra, menos do que a Europa.

Lavrov enfatizou que cada vez mais países da Otan e da União Europeia não querem gastar dinheiro para satisfazer “os caprichos de Zelensky”.

“A verdade prevalecerá. Agora, vozes mais sensatas estão chegando até nós, não apenas dos países europeus, mas também de Washington”, declarou.

Em particular, Lavrov disse que Trump demonstrou que o “pragmatismo” é a chave para sua política em relação à solução do conflito ucraniano.

Nos últimos dias, o Kremlin apoiou abertamente a campanha da Casa Branca para desacreditar Zelensky, a quem Trump chamou de “ditador não eleito”.

No entanto, seus aliados europeus e a grande maioria dos ucranianos se opõem à realização de eleições presidenciais em meio aos combates.

O chefe da diplomacia russa também acusou hoje o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, de extrapolar suas funções ao pedir que Zelensky não demonstrasse fraqueza antes do início das negociações de paz e não suavizasse sua posição sobre, entre outras coisas, concessões territoriais.

“É claro que isso é uma bacanal. Rutte está abusando de seu poder, infringe gravemente suas obrigações”, afirmou, e acrescentou que o secretário-geral aliado está se comportando como se estivesse representando uma grande potência e não um bloco militar. EFE