Washington (EFE) – O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, advertiu nesta quarta-feira que a atual incerteza e volatilidade devido à guerra tarifária “sem dúvida” levará a um crescimento econômico “mais lento” nos próximos meses e pediu que se chegue a acordos o mais rápido possível.
“A história mostra que economias mais abertas tendem a crescer mais rápido e a resistir melhor a flutuações nas reservas e crises. (…) Os países devem se concentrar na negociação e no diálogo. É muito importante nesta fase, e quanto mais cedo fizermos isso, melhor”, disse Banga em entrevista coletiva.
Banga falou às vésperas da reunião que o BM terá na próxima semana em Washington com o Fundo Monetário Internacional (FMI), em meio às crescentes tensões comerciais sobre as tarifas que os Estados Unidos impuseram a diversos países – posteriormente aplicaram uma trégua parcial, exceto à China.
“Muitas economias em desenvolvimento ainda mantêm tarifas mais altas do que as economias avançadas. Em média, são vários pontos percentuais mais altas em importações importantes. Isso cria um risco real de tarifas recíprocas e, acima de tudo, de perda de competitividade. Uma ampla liberalização, não apenas com parceiros preferenciais, pode ajudar a compensar esses riscos”, argumentou.
De acordo com o presidente do Banco Mundial, os países com modelos de crescimento orientados para a exportação, especialmente aqueles dependentes de matérias-primas ou produtos manufaturados, “são muito mais vulneráveis a interrupções”.
Sem ainda saber o impacto da situação atual, ele anunciou que, em coordenação com o FMI, eles estão recorrendo à sua “caixa de ferramentas” e experiências anteriores, como a pandemia de covid-19, para analisar como facilitar a produtividade nacional e o comércio internacional em alguns desses mercados emergentes.
Banga destacou que o emprego estará no centro da reunião, que acontecerá de 21 a 26 de abril na capital dos EUA, porque é “o que faz os países avançarem”, assim como o envolvimento do capital privado.
“Com muita frequência, a incerteza regulatória, o risco cambial e a instabilidade política mantêm os investidores à margem. É por isso que estamos tentando implementar uma abordagem diferente”, explicou.
De acordo com ele, o BM está trabalhando com investidores institucionais como Standard & Poor’s, BlackRock e outros fundos para criar pacotes de empréstimos padronizados, liberando capital desses fundos de pensão e fundos soberanos.
“A perda de previsibilidade causa um certo grau de ‘paralisia”, enfatizou. EFE