Jerusalém (EFE).- Ao menos 45 palestinos foram mortos e centenas ficaram feridos na madrugada desta terça-feira nas imediações de um ponto de distribuição de ajuda humanitária próximo a Khan Yunis, ao sul de Gaza, elevando o número de vítimas para mais de 400 em incidentes semelhantes desde que o sistema de distribuição começou no final de maio, segundo informou o Ministério da Saúde de Gaza.
As vítimas foram levadas ao hospital de Al Nasser, no sul, que, segundo as autoridades sanitárias do enclave, controlado pelo governo do grupo militante Hamas, está “seriamente congestionado” devido à chegada em massa de mortos e feridos.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) reconheceram hoje terem “conhecimento de relatos de vários feridos por disparos de suas tropas após a aproximação da multidão”, que, segundo sua versão, se aglomerou em torno de um caminhão de ajuda humanitária preso na área de Khan Yunis, no sul de Gaza, perto de onde suas tropas estavam estacionadas.
“As tropas lamentam qualquer dano causado a indivíduos não envolvidos e estão trabalhando para minimizá-lo ao máximo, mantendo a segurança de nossas forças”, afirmaram as FDI em um comunicado, acrescentando que estão investigando o incidente.
Desde o final de maio, quando começou a operar em Gaza o Fundo Humanitário de Gaza (GHF, na sigla em inglês), uma iniciativa apoiada por Israel e Estados Unidos para distribuir alimentos de forma limitada em áreas designadas, houve repetidas mortes perto desses pontos.
Por esse motivo, agências da ONU e outras organizações humanitárias já descrevem esse mecanismo como uma “armadilha mortal” para a população civil faminta e pedem a Israel que abra as passagens de entrada em Gaza e permita a entrada em massa de ajuda.
As forças israelenses, por sua vez, confirmaram em diversas ocasiões que dispararam tiros de “advertência” contra os moradores de Gaza após eles supostamente se desviarem das rotas estabelecidas para chegar aos centros de distribuição. EFE