Moscou (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, acusou a Otan nesta segunda-feira de provocar uma corrida armamentista global, ao mesmo tempo em que anunciou o reforço da tríade nuclear russa com bombardeiros Tu-160M modernizados e mísseis balísticos intercontinentais RS-24 Yars.
“Sabemos que na cúpula da Otan se planeja anunciar o início de um programa em larga escala para continuar aumentando o potencial da Aliança. Para isso, os orçamentos militares de seus países-membros aumentarão”, disse Putin ao discursar para um grupo de graduados de escolas e academias militares, em um evento transmitido ao vivo pela televisão russa.
O líder russo acrescentou que “os membros do bloco agora gastam mais em fins militares do que todos os países do mundo juntos”.
“Isso deixa claro quem está realmente provocando a militarização global e uma corrida armamentista”, completou.
Putin classificou como “histórias assustadoras” os argumentos usados pela Otan para justificar seus planos: “A suposta ameaça da Rússia (…) e nossa possível invasão da Europa”.
“Eles mesmos inventaram essa história assustadora e a repetem ano após ano”, declarou, ressaltando que, assim como na II Guerra Mundial, os combatentes na Ucrânia estão lutando “pelo nosso futuro”.
Ao mesmo tempo, enfatizou que o Kremlin está dando “atenção especial à tríade nuclear”, ou seja, a aviação estratégica, os submarinos nucleares e os mísseis intercontinentais.
“Além disso, está em andamento a produção em série do novo sistema de mísseis (balísticos hipersônicos) de médio alcance Oreshnik, o qual demonstrou excelente desempenho em condições de combate”, comentou, referindo-se a um único lançamento em novembro do ano passado contra uma fábrica de armas na Ucrânia.
Em resposta à entrada da Finlândia na Otan, Putin lembrou que o trabalho de formação final das unidades militares nos distritos de Moscou e Leningrado será concluído este ano.
Nesse sentido, acrescentou que essas guarnições serão reforçadas com divisões com maior capacidade de combate.
Putin também revelou que, devido à crescente importância dos veículos aéreos não tripulados nos conflitos atuais, será criada uma nova força de drones.
Ao se dirigir aos formandos, também alertou para o agravamento da situação no Oriente Médio com o envolvimento de “potências não regionais” no conflito – em clara referência ao bombardeio dos Estados Unidos no Irã -, o que está colocando o mundo “à beira do abismo”.
“Dada a crescente tensão geopolítica, continuaremos a tomar as medidas adequadas para fortalecer a segurança da Rússia e de nossos aliados. O desenvolvimento de nossas Forças Armadas é a garantia de uma Rússia soberana e independente”, concluiu. EFE