Cidade de Gaza. EFE/Arquivo/MOHAMMED SABER

Israel mata mais de 56 mil palestinos em Gaza após 627 dias de ataques

Jerusalém (EFE).- Mais de 56 mil pessoas morreram devido ao fogo israelense na Faixa de Gaza desde que Israel iniciou sua ofensiva militar no enclave, após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, anunciou nesta terça-feira o Ministério da Saúde local.

Em seu relatório diário sobre os óbitos registrados em hospitais (que não inclui mortes por doença ou fome), o Ministério do governo do Hamas contabiliza 79 novos falecimentos (cinco deles, corpos recuperados sob os escombros) e 289 feridos apenas nas últimas 24 horas, elevando para 56.077 o total de vítimas fatais e 131.848 o de feridos.

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza – que até o último dia 15 havia identificado os corpos de 55.202 habitantes da Faixa – 31% das vítimas eram crianças, o equivalente a mais de 17,1 mil menores assassinados desde outubro de 2023.

Além disso, mais de 500 pessoas foram mortas em ataques israelenses próximos a pontos militarizados de distribuição de alimentos, segundo o Ministério da Saúde, desde que a Fundação Humanitária para Gaza (GHF, na sigla em inglês), apoiada por Israel e Estados Unidos, começou a operar em 27 de maio nas proximidades de áreas militares israelenses.

Ontem, ao menos 28 palestinos já morreram em ataques de tropas e drones israelenses enquanto esperavam a distribuição de alimentos no centro da Faixa, perto da zona militarizada do Corredor de Netzarim, conforme informado por fontes médicas do enclave.

A maioria dos mortos (19) chegou ao hospital Al Awda, no norte da Faixa, que também recebeu 146 palestinos feridos. Outros sete corpos foram registrados no Hospital Mártires de Al Aqsa, em Deir al Balah (centro), e outros dois foram recebidos pelo Hospital Shifa, na Cidade de Gaza (norte), segundo informações dos próprios hospitais.

Ontem, o Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos denunciou, em Genebra, que até 410 palestinos foram mortos desde 28 de maio pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) perto dos pontos de distribuição de alimentos da GHF, e outros 93 enquanto tentavam ter acesso à escassa ajuda distribuída pelos caminhões da ONU.

Ao menos 3 mil palestinos ficaram feridos nesses incidentes, nos quais “aos habitantes de Gaza desesperados e famintos foi dada a escolha entre morrer de fome ou correr o risco de serem mortos enquanto tentavam obter comida”, afirmou em entrevista coletiva o porta-voz do escritório, Thameen Al-Kheetan, que lembrou que o assassinato de civis desarmados é um crime de guerra.

Israel “deve parar de atirar nas pessoas que tentam conseguir comida, e permitir a entrada de alimentos e ajuda humanitária respeitando o direito internacional”, acrescentou, unindo-se ao apelo da ONU e de outras organizações para que Israel abra as passagens terrestres para Gaza. EFE