Moscou (EFE).- O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, minimizou nesta quinta-feira a importância para a segurança de seu país do acordo da Otan em aumentar para 5% do PIB os gastos com defesa até 2035.
Ele ressaltou que a Rússia tem muito claros os objetivos que persegue (na Ucrânia), que considerou “absolutamente legítimos”, e os meios necessários para isso.
Na sua opinião, a decisão da Aliança Atlântica é, na realidade, “uma ameaça para os contribuintes dos países da União Europeia e do Reino Unido”.
“Nos últimos três anos, simplesmente roubam-nos e, em vez de utilizarem os recursos arrecadados através dos impostos para resolver os graves problemas socioeconômicos, o dinheiro é usado para financiar uma guerra sem sentido na Ucrânia”, afirmou.
Lavrov também destacou que, se antes os europeus queriam a derrota estratégica da Rússia, agora buscam uma “trégua urgente” na Ucrânia, enquanto continuam fornecendo armamento a Kiev.
Os líderes da Otan concordaram ontem, em sua cúpula em Haia, na Holanda, em aumentar de 2% para 5% do PIB os gastos com defesa até 2035 (3,5% para gastos militares puros e 1,5% para gastos relacionados).
A nova porcentagem responde às “profundas ameaças e desafios à segurança, em particular a ameaça de longo prazo que a Rússia representa para a segurança euro-atlântica e a ameaça persistente do terrorismo”, afirmaram.
“Apoiamos a Ucrânia em sua busca pela paz e continuaremos apoiando a Ucrânia em seu caminho irreversível rumo à adesão à Otan”, declarou o secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte.
Recentemente, o presidente russo, Vladimir Putin, acusou a Otan de provocar uma corrida armamentista no mundo, e anunciou o reforço da tríade nuclear.
“Sabemos que na cúpula da Otan está previsto anunciar o início de um programa em grande escala para continuar aumentando o potencial da Aliança. Para sua realização, os orçamentos militares de seus países membros serão aumentados”, afirmou Putin ao discursar para um grupo de graduados de escolas e academias militares, evento transmitido ao vivo pela televisão.
Ele acrescentou que “os membros do bloco gastam agora com fins militares mais do que todos os países do mundo juntos. Isso mostra claramente quem é que realmente provoca uma militarização global e uma corrida armamentista”.
Putin classificou como “histórias de terror” os argumentos usados pela Otan para justificar seus planos: “A suposta ameaça da Rússia (…) e nossa possível invasão da Europa”. EFE