Luis Planas. EFE/Arquivo/Ana Escobar

Ministro da Agricultura da Espanha pede “calma” após ameaças de Trump ao país

Roma (EFE).- O ministro da Agricultura, Pesca e Alimentação espanhol, Luis Planas, fez nesta sexta-feira um “apelo à calma” aos setores produtivos do país, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou a Espanha com o dobro do preço comercial por sua recusa em aumentar os gastos militares.

“Faço um apelo à calma, evidentemente baseado nos fatos. Estamos acompanhando de perto o assunto com a Comissão Europeia (CE) para evitar qualquer aspecto negativo que possa implicar para nossas exportações”, disse Planas à Agência EFE na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em Roma, além de destacar que “não há motivo para temer”.

O ministro destacou que “os acordos entre União Europeia e EUA são os que marcam a relação comercial”.

“Como sempre, o que é preciso ter em conta não são as palavras, mas os fatos”, destacou.

“Acredito que somos realmente capazes, através da UE, de defender plenamente nossos interesses”, disse, e reiterou que o governo continua “com toda a atenção, mas não só agora, desde o mês de abril e antes, tudo o que se refere aos interesses comerciais da Espanha”.

Questionado sobre se existe alguma possibilidade de setores como o azeite de oliva – o produto de destaque das exportações espanholas para os EUA, com cerca de 1,2 bilhão de euros – ou o vinho, que estão entre os mais expostos, sofrerem as consequências das palavras de Trump, Planas foi categórico.

“Não, aqui estamos negociando entre um país, os EUA, e a Europa como união aduaneira e, portanto, em matéria de política comercial, a de mercadorias, a competência exclusiva é da CE, que é quem negocia por todos os Estados. E, evidentemente, a UE e, em particular, a CE protegem os interesses comerciais da Espanha”, explicou.

A Espanha é “uma grande potência agroalimentar” e os EUA “são para nós o segundo país de exportação agroalimentar fora da UE e, logicamente, queremos manter e, se possível, aumentar nossa presença lá”, enfatizou.

“Obviamente, o que queremos é poder continuar a desenvolver com absoluta confiança e amizade, como fazemos essa atividade do ponto de vista comercial, que esperamos não seja afetada pelas negociações comerciais em curso entre UE e EUA”, acrescentou.

Nessas negociações, com 9 de julho como prazo máximo imposto pelos EUA para chegar a um acordo, a Espanha apoia “plenamente a Comissão Europeia, que é quem negocia em nome dos 27”.

“Vamos apoiar o que a presidente (da Comissão da UE, Ursula) von der Leyen e a Comissão decidirem a respeito. Gostaríamos que houvesse uma conclusão” o mais rápido possível, afirmou.

O ministro espanhol destacou que “a política comercial americana de eventual imposição de tarifas a países terceiros” é muito diferente da questão da defesa: “Não são vasos comunicantes”.

Planas reafirmou “o claro envolvimento e resposta” da Espanha “como país membro e leal aos princípios e políticas da Otan para responder, com base em nossas capacidades, às demandas que foram feitas em matéria de segurança e defesa”.

“Nosso compromisso com a Otan é um compromisso firme, vamos cumprir plenamente nossas obrigações”, afirmou, antes de mencionar, como exemplo, “as 3.000 unidades destacadas na fronteira leste, contribuindo sem dúvida para suas missões e para a segurança de sua atividade”. EFE