Madrid/Londres (EFE).- Escolas, serviços de emergência, transportes e até mesmo o lendário torneio de Wimbledon estão sendo afetados pela onda de calor que assola a Europa devido a um anticiclone procedente da África que elevou as temperaturas a mais de 40 graus Celsius, especialmente nos países continentais do sul.
O efeito de cúpula de calor, que o retém próximo ao solo e o impede de se dissipar mesmo à noite, mantém metade da Europa em alerta, sujeita a noites tropicais (que nunca caem abaixo de 20 graus) e equatoriais (acima de 25 graus) que parecem não ter fim, já que as altas temperaturas que deveriam dar uma trégua a partir de terça-feira podem durar pelo menos até quinta.
As autoridades insistem em aconselhar a população a se proteger do sol durante as horas centrais do dia, manter-se hidratada e usar roupas leves. Mesmo assim, a atividade diária de trabalho e os turistas que lotam praticamente todas as cidades europeias proporcionam imagens de multidões enfrentando o calor nas ruas, buscando fontes e sombras para se refrescar.
Os respectivos serviços meteorológicos de Portugal e Itália declararam alerta vermelho em algumas áreas, o que indica risco extremo.
Em Portugal, sete distritos foram declarados em alerta vermelho, incluindo Lisboa, em um dia com temperaturas previstas para ultrapassar os 40 graus em várias partes do país. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a capital registrará uma máxima de 41 graus nesta segunda-feira.
A cidade de Beja, no Alentejo, prevê a temperatura mais alta entre as capitais de distrito, com 44 graus.
Na Itália, pelo menos 20 cidades estão em alerta vermelho, nomeadamente nas regiões da Lombardia, Emília-Romagna e Vêneto, onde as temperaturas podem ultrapassar os 40 graus hoje, de acordo com o site especializado em meteorologia “ilmeteo.it”.
Os termómetros ultrapassaram os 34-36 graus de norte a sul do território italiano. As temperaturas também passarão de 38 graus na ilha da Sardenha, ao longo da costa de Marche, sem mencionar o interior da Toscana, Úmbria e Lácio, onde a umidade tornará a sensação térmica ainda mais alta.
Nesse cenário, as solicitações de atendimento de emergência devido ao calor aumentaram 4% nos últimos sete dias.
Onda de calor na Espanha
A onda de calor continuará a atingir a Espanha pelo menos até quinta-feira, com máximas de entre 36 e 38 graus em grandes áreas da península e das Ilhas Baleares e até 42-43 graus em Guadalquivir e Guadiana (sul).
Apenas o terço norte da península sofrerá uma “queda significativa” no meio da semana, mas o restante do país permanecerá sem grandes mudanças.
Soma-se a essa onda de calor a possibilidade de tempestades durante a segunda metade da semana, especialmente nas áreas montanhosas do norte e do leste.
Durante o período, as temperaturas mínimas não diminuirão e as noites tropicais se repetirão em muitas regiões, especialmente no centro, sul e áreas do Mediterrâneo.
Fenômenos sem precedentes na França
A ministra da Transição Ecológica da França, Agnès Pannier-Runacher, descreveu as atuais ondas de calor como “fenômenos sem precedentes” no país, em entrevista à emissora “Sud Radio”.
Alguns municípios fecharam suas escolas, seguindo as instruções do Ministério da Educação, enquanto o Ministério da Saúde criou um número gratuito com dicas sobre como combater o calor.
Máximas entre 37 e 40 graus são esperadas hoje na maior parte do país, de acordo com a Météo-France, que prevê que esse quadro se estenda pelo menos até quinta-feira.
Dos 100 departamentos do país, 84 estão em alerta laranja. Mas as ondas de calor mais intensas são esperadas para terça e quarta-feira, com máximas de entre 36 e 40 graus e picos ocasionais de 41 graus, bem como noites tropicais de entre 20 e 24 graus.
Serviços ferroviários e Wimbledon são afetados no Reino Unido
O Reino Unido, especialmente Londres e os arredores da capital, espera temperaturas em torno de 34 graus para encerrar o junho mais quente já registrado.
Os serviços ferroviários do país podem ser especialmente afetados devido ao superaquecimento das linhas, e alguns serviços já operam com velocidades restringidas.
As altas temperaturas coincidem com o início do torneio de tênis de Wimbledon, onde havia longas filas para entrar no All England Club esta manhã.
De acordo com a emissora “BBC”, se as temperaturas chegarem a 34 graus, poderá ser o início mais quente na história do torneio.
Por essa razão, os organizadores de Wimbledon anunciaram que está em vigor a “regra do calor”: qualquer jogador pode solicitar um intervalo de 10 minutos se a temperatura estiver acima de 30 graus.
A Alemanha também está enfrentando temperaturas “extremas”, especialmente ao longo da fronteira com a França e no oeste e no sudoeste do país, de acordo com o serviço meteorológico DWD.
A onda de calor deve culminar no país na quarta-feira com temperaturas acima de 35 graus, podendo chegar a 39 graus, e noites tropicais com temperaturas que não cairão abaixo de 20 graus.
Algumas escolas primárias no sul do país já reduziram o horário escolar nesta segunda-feira devido ao calor, e as autoridades de saúde já pediram aos cidadãos e empresas para que tomem precauções.
Recorde de 0ºC na Suíça nas montanhas suíças
A Suíça, que também está passando por sua primeira onda de calor (até 30 graus durante o dia e 20 graus à noite), tem os vales e áreas planas do país, como a região nos arredores do Lago Léman, como os mais afetados.
A cidade de Genebra tomou medidas como permitir a entrada gratuita de idosos em piscinas e cinemas durante a onda de calor.
O serviço meteorológico local alertou para temperaturas excepcionalmente altas também na altitude, com os termômetros marcando zero graus aos 5.200 metros de altitude (bem acima do pico mais alto do país), um recorde nunca antes registrado em junho e superando a marca anterior, registrada aos 4.912 metros em 2017.
A Bélgica vivenciou uma primavera excepcionalmente ensolarada, seca e quente, como evidenciado pelo fato de que 13 de junho foi o dia mais quente já registrado no pequeno país da Europa Central pelo Instituto Real de Meteorologia, com 31,5 graus, superando o recorde de 31,3 graus estabelecido em 2006.
Esta semana, o reino belga enfrentará novamente temperaturas que, embora não tão altas quanto em outras partes da Europa, serão excepcionais para o início de julho na Europa Central, oscilando em torno de 40 graus na quarta-feira, antes de as temperaturas caírem novamente abaixo da marca de 30 graus.
A República Tcheca também está vivenciando uma incomum onda de calor no final de junho, com noites que não baixam dos 20 e dias acima dos 30 graus.
A semana também deve ser particularmente intensa na Áustria, com pico previsto para quinta-feira, quando as temperaturas poderão chegar a 38 graus, especialmente no leste do país.
Alívio na Grécia
A onda de calor que atingiu a Grécia na última quinta e sexta-feira, com temperaturas chegando a 43,2 graus em algumas áreas, diminuiu e os termômetros estão atualmente em níveis normais para a estação.
No entanto, o risco de incêndios florestais permanece, especialmente na região de Ática, nas Ilhas Cíclades e na ilha de Creta.
Na província de Izmir, na Turquia, os bombeiros estão combatendo incêndios florestais alimentados ontem por ventos fortes de até 120 quilômetros por hora. Pelo menos 21 pessoas foram tratadas em hospitais, embora já tenham recebido alta, de acordo com dados oficiais.
Na Sérvia, as temperaturas devem subir entre 30 e 35 graus na terça e na quarta-feira, e níveis ainda mais altos estão previstos para quinta-feira, chegando a 39 graus.
As temperaturas também estão subindo novamente na Croácia, após vários dias de alívio, e na Macedônia, onde os termômetros podem registrar de 38 a 40 graus no sábado e no domingo. EFE