Sevilha (EFE).- O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu nesta segunda-feira que o aumento nos gastos com defesa que cada país decida fazer não ocorra à custa do financiamento da ajuda ao desenvolvimento.
“Eu penso que o que é natural é que, se um país considera que tem que aumentar gastos de defesa, deve utilizar seus recursos próprios para isso e não financiar o aumento do gasto de defesa com a redução da ajuda humanitária aos povos mais desprotegidos do mundo”, disse Guterres em entrevista coletiva.
A declaração do secretário-geral ocorre dias depois que os Estados-membros da OTAN aprovaram, de forma quase unânime, um aumento do gasto em defesa para até 5% de seu PIB nos próximos anos.
Guterres se referiu também ao contexto internacional, assinalando que a Conferência Internacional para o Financiamento do Desenvolvimento, que começou hoje em Sevilha, no sul da Espanha, acontece “em um dos momentos mais difíceis que eu já vivi em minha vida pública”, disse.
“Mas o que é destacável é que neste momento tão difícil, em que os países estão tão divididos, foi possível adotar o Compromisso de Sevilha, que representa um passo adiante da conferência de Adis Abeba e, o que é mais importante, um passo adiante rumo à próxima conferência”, afirmou.
Para Guterres, “há um desejo sólido da maioria da comunidade internacional para mudar o sistema e permitir que países em desenvolvimento se beneficiem do progresso e do desenvolvimento”.
“Sabemos que há resistências, sabemos que essencialmente é uma questão de poder. Mas temos uma mensagem clara ao poder: é melhor para eles viverem as reformas do sistema agora do que esperar e sofrer em algum momento as resistências depois, quando as relações de poder mudarem”, assinalou.
A IV Conferência Internacional para o Financiamento do Desenvolvimento ocorre em um momento em que os organismos internacionais e de ajuda ao desenvolvimento buscam fórmulas para tornar mais eficiente a obtenção de mecanismos de receita, apesar da redução do gasto em cooperação anunciada por algumas das principais economias do mundo. EFE