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OMS diz que solidão afeta 1 em cada 6 pessoas e está associada a 871 mil mortes anuais

Antonio Broto |

Genebra (EFE).- Uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão, um problema que afeta a saúde mental e contribui para cerca de 871 mil mortes por ano, adverte o primeiro relatório da comissão criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para tentar combater esse fenômeno contemporâneo crescente.

O estudo da Comissão sobre Conexão Social, publicado nesta segunda-feira, revela que a solidão e o isolamento afetam pessoas de todas as idades, incluindo um terço dos idosos e um quarto dos adolescentes.

Ele revela que esse não é um problema exclusivo dos países desenvolvidos: 24% das pessoas em economias de baixa renda sofrem com isso, contra 11% nas de alta renda.

“Em uma era em que as possibilidades de conexão são incontáveis, cada vez mais pessoas se sentem isoladas e solitárias”, advertiu o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ao apresentar o estudo.

O responsável máximo da OMS destacou que a solidão e o isolamento social não só têm efeitos negativos para os indivíduos, famílias e comunidades, como também provocam perdas de milhares de milhões de dólares devido aos seus custos sanitários, educacionais e laborais.

De acordo com o relatório, os jovens que sofrem de solidão têm 22% mais probabilidades de ter notas baixas, e os adultos com este problema podem ter dificuldades em manter o seu emprego.

Fator de risco

A solidão e o isolamento, segundo destaca o estudo, aumentam o risco de doenças cardíacas, diabetes, declínio cognitivo e morte prematura, além de afetar a saúde mental, duplicando as chances de sofrer de depressão.

O relatório da comissão presidida pelo ex-cirurgião-geral do governo dos Estados Unidos, Vivek Murthy, e pela enviada especial da União Africana para a juventude, Chido Mpemba, do Zimbábue, ressalta que o melhor remédio para combater esses problemas é a conexão social.

Além de reduzir o risco de doenças graves, melhorar a saúde mental ou limitar os riscos de morte prematura, a nível social pode criar “comunidades mais saudáveis e resilientes, também em resposta a desastres”, aponta o relatório.

Para promover essa coesão social, o documento apresenta várias recomendações, que incluem campanhas de conscientização, fortalecimento da infraestrutura para o contato social (parques, bibliotecas, cafés) ou maior acesso a atendimento psicológico.

Tarefas para todos

“Muitos sabem o que é sentir-se sozinho, e todos podem contribuir para amenizar isso com gestos simples e cotidianos, desde ajudar um amigo em apuros até estar realmente presente em uma conversa e deixar o celular de lado, cumprimentar um vizinho, participar de um grupo local ou fazer trabalho voluntário”, propõe a OMS.

O relatório aponta como principais fatores da solidão a saúde precária, a baixa renda e os baixos níveis de educação, a infraestrutura comunitária insuficiente e as tecnologias digitais.

Neste último ponto, a comissão da OMS pede que os efeitos que o tempo excessivo diante das telas e a interação negativa pela internet podem ter na saúde mental sejam monitorados, especialmente em jovens.

“Enquanto a tecnologia reconfigura nossas vidas, devemos estar atentos para garantir que ela fortaleça, em vez de enfraquecer, a conexão humana”, acrescentou Mpemba.

Em 2023, quando a OMS criou a comissão, advertiu que a solidão já era um fator de mortalidade tão elevado quanto o consumo de tabaco e álcool, a inatividade física, a obesidade ou a poluição atmosférica.

“Com este relatório, levantamos o véu da solidão e do isolamento, que são o desafio que melhor define o nosso tempo”, destacou Murthy. EFE