Luiz Inácio Lula da Silva. EFE/Arquivo/Andre Borges

Lula sugere que Mercosul adote sistema de pagamentos em moedas locais

Buenos Aires (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu nesta quinta-feira, durante seu discurso na Cúpula do Mercosul em Buenos Aires, que o bloco adote um sistema de pagamentos em moedas locais que facilite as transações digitais.

Lula, que assumirá a presidência semestral do Mercosul ao final da reunião, também declarou que o Brasil pretende dar continuidade às negociações visando à “ampliação de mercados” e reiterou sua plena confiança de que o acordo com a União Europeia (UE) será assinado “antes do final do ano”.

Este acordo, negociado há mais de 25 anos, ainda precisa superar a resistência da França e de outros países da UE.

Além disso, o presidente brasileiro comemorou a conclusão das negociações com a Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA), anunciada na véspera em Buenos Aires, e falou de sua intenção de avançar no mesmo caminho com Canadá, Emirados Árabes Unidos, Panamá e República Dominicana.

Lula também propôs atualizar os acordos comerciais com Equador e Colômbia e “olhar para a Ásia”, por meio de “maior aproximação com Japão, China, Índia, Coreia do Sul, Vietnã e Indonésia”.

Na visão do presidente, “quando o mundo se mostra instável e ameaçador, é natural buscar refúgio” em um espaço como o Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina Paraguai e Uruguai, com a Bolívia em processo de adesão, o qual descreveu como “uma casa com bases sólidas”.

Nesse sentido, destacou que a Tarifa Externa Comum (TEC) “blinda” o Mercosul “contra guerras comerciais externas” e que a “força institucional” do bloco o apresenta ao mundo como “um parceiro confiável”.

No entanto, frisou o “desafio de resguardar esse espaço de autonomia em um contexto cada vez mais polarizado” e assegurou que é possível “reduzir custos e riscos cambiais” pagando pelo comércio em moedas locais, iniciativa que o Brasil promove em todos os fóruns dos quais participa.

Lula mencionou ainda que o Brasil sediará a COP30 em novembro e, nesse contexto, também instou o Mercosul a unir forças contra a mudança climática, “cujas consequências já se fazem sentir no Cone Sul” na forma de secas e inundações que “causam perdas humanas e destruição de infraestruturas e plantações”.

Segundo o petista, “a realidade avança mais rápido que o Acordo de Paris e expõe a falácia do negacionismo climático”, movimento que muitos associam ao presidente argentino, Javier Milei, que preside a cúpula do Mercosul.

Na mesma linha, anunciou a futura reunião de ministros do Meio Ambiente do Mercosul e a necessidade de fortalecer a cooperação dentro do bloco para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável.

Concordando com Milei, citou o combate ao crime organizado como um “desafio” para o bloco e afirmou que não será possível “derrotar as corporações criminosas multinacionais sem atuar de forma coordenada”.

Nesse contexto, colocou a serviço do Mercosul um centro de coordenação de segurança localizado em Manaus, que foi inaugurado este ano e promoverá o intercâmbio de informações com todos os países sul-americanos.

O presidente também antecipou a intenção de fortalecer os mecanismos do Mercosul para a promoção dos direitos humanos e a cooperação em áreas sociais, além de convocar encontros de movimentos sociais e sindicatos dos países do bloco.

Segundo Lula, “a força da democracia depende do diálogo e do respeito à pluralidade”, dois valores que o Brasil pretende trabalhar nos próximos seis meses para promover “uma integração solidária e sustentável”. EFE