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Israel e UE chegam a acordo para ampliar acesso humanitário a Gaza

Bruxelas (EFE).- Israel concordou com a União Europeia (UE) em ampliar o acesso da ajuda humanitária à Faixa de Gaza com a abertura de mais passagens fronteiriças e a entrada de mais caminhões, segundo informou nesta quinta-feira a chefe da diplomacia do bloco europeu, Kaja Kallas.

“Hoje chegamos a um acordo com Israel para ampliar o acesso humanitário a Gaza”, anunciou Kallas em mensagem nas redes sociais, acrescentando que o pacto implica “a abertura de mais passagens, a entrada em Gaza de caminhões com ajuda e alimentos, o reparo de infraestruturas vitais e a proteção dos trabalhadores humanitários”.

“Contamos que Israel aplicará todas as medidas acordadas”, acrescentou.

Posteriormente, em comunicado, Kallas disse que, após as resoluções do Conselho de Ministros israelense e o “diálogo construtivo entre a UE e Israel”, este país concordou com “medidas significativas para melhorar a situação humanitária” na Faixa.

Nesse sentido, explicou que essas medidas “estão sendo aplicadas ou serão aplicadas nos próximos dias, com o entendimento comum de que a ajuda em larga escala deve ser entregue diretamente à população e que continuarão sendo tomadas medidas para garantir que não haja desvio de ajuda para o Hamas”.

A alta representante da UE para Política Externa e Segurança indicou que as medidas acordadas incluem o aumento substancial do número de caminhões diários para a entrada em Gaza de alimentos e artigos não alimentares, a abertura de outras passagens fronteiriças tanto na zona norte quanto na sul e a reabertura das rotas de ajuda jordaniana e egípcia.

Também será permitida a distribuição de suprimentos alimentares por meio de padarias e cozinhas públicas em toda a Faixa, e a retomada do fornecimento de combustível para uso das instalações humanitárias “até um nível operacional”.

Além disso, foi pactuada a proteção dos trabalhadores humanitários e o reparo e a facilitação de obras em infraestruturas vitais, como a retomada do fornecimento de energia elétrica à instalação de dessalinização de água.

Kallas assegurou que a UE está disposta a coordenar-se com todas as partes humanitárias interessadas, os organismos das Nações Unidas e as ONGs no terreno, para garantir a rápida aplicação dessas medidas urgentes.

Além disso, voltou a solicitar um cessar-fogo imediato e a libertação de todos os reféns que permanecem nas mãos do Hamas, e apoiou os esforços atuais do Egito, do Catar e dos Estados Unidos como mediadores.

Por sua vez, o porta-voz comunitário, Anouar El Anouni, afirmou durante a coletiva de imprensa diária da Comissão Europeia que este pacto é “resultado do diálogo” iniciado por Kallas com o chanceler israelense, Gideon Saar, em linha com o acordado no último conselho de ministros de Relações Exteriores da UE em junho.

No entanto, o porta-voz não quis especular sobre a possibilidade de que o acordo alcançado exclua a possibilidade de se propor uma suspensão total ou parcial do acordo de associação entre a UE e Israel, como haviam pedido Estados-membros diante da situação humanitária em Gaza. EFE