Pequim (EFE).– A vice-presidente executiva da Comissão Europeia para uma Transição Limpa, Justa e Competitiva, Teresa Ribera, declarou nesta segunda-feira em Pequim que a União Europeia (UE) “não aceitará práticas de dumping”, em referência aos veículos elétricos chineses.
Ribera, que está na capital chinesa para participar do Sexto Diálogo de Alto Nível sobre Meio Ambiente e Clima entre China e União Europeia, indicou em uma coletiva de imprensa que “existe a crença de que recorrer a produtos baratos” poderia “ser benéfico para novos caminhos de descarbonização no mercado europeu”.
No entanto, a representante europeia ressaltou a importância de evitar que “o excesso de capacidade industrial afete outros lugares”, uma crítica às práticas industriais de Pequim repetida pelos 27 membros da UE nos últimos anos.
A vice-presidente da Comissão frisou a importância de “proteger uma economia aberta” no Velho Continente, mas também a da transparência, da previsibilidade e do Estado de direito.
Ribera, que descreveu as conversas com as autoridades chinesas como “frutíferas”, assegurou que tanto a China quanto a UE concordam que precisam transformar suas economias “em sintonia com as agendas ambientais”.
Nesse sentido, destacou “avanços substanciais” em seu diálogo ambiental com seus homólogos chineses em campos como mercados de emissões de carbono, políticas hidrológicas, economia circular e a proteção da fauna.
A representante disse também que tanto Pequim quanto Bruxelas veem o Acordo de Paris, do qual os Estados Unidos anunciaram sua retirada no início do ano, como o “marco adequado para lidar com as mudanças climáticas”.
DESAFIOS CLIMÁTICOS E COMERCIAIS.
A China, maior emissora de gases de efeito estufa, fixou a meta de atingir o pico de suas emissões de CO2 antes de 2030 e a neutralidade de carbono antes de 2060. Também se comprometeu a reduzir suas emissões de CO2 por unidade de PIB em pelo menos 60% até 2030, em comparação com os níveis de 2005, segundo um plano climático que apresentou em 2021.
No entanto, organizações como o Greenpeace pediram ao gigante asiático que estabeleça “um calendário claro para a eliminação gradual do carvão”, ainda protagonista no plano energético nacional.
Apesar do avanço da energia eólica e solar na China, que juntas chegaram a gerar mais de um quarto da eletricidade do país, o país também tem sido alvo de críticas por impulsionar desde o ano passado a construção de novas usinas a carvão.
O diálogo ambiental entre Pequim e Bruxelas ocorre uma semana antes da cúpula entre ambos, prevista para o final deste mês na capital chinesa.
Apesar de alguns analistas terem especulado sobre uma aproximação entre a China e a UE em decorrência da guerra comercial deflagrada pelo presidente americano, Donald Trump, persistem graves divergências entre as duas partes, entre as quais se destacam as tensões comerciais e as críticas europeias à China por sua aproximação com a Rússia após o início da guerra na Ucrânia. EFE