Jerusalém (EFE).- Quase metade das mortes por ferimentos de guerra entre o pessoal da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) e seus familiares durante a ofensiva de Israel na Faixa de Gaza são de crianças, denunciou nesta terça-feira a organização em um relatório.
A ONG ressaltou que, desde o início da ofensiva há quase 22 meses, três de cada quatro mortes entre o pessoal da MSF e seus familiares foram devido a explosões. E entre os falecidos por ferimentos, “48% são crianças e 40% tinham menos de 10 anos”.
“As crianças de Gaza estão sendo dizimadas”, afirmou a subdiretora do departamento de emergências da MSF, Amande Bazerolle, ao explicar que o estudo coletou informações de 2.523 funcionários e familiares entre outubro de 2023 e março de 2025.
A MSF alertou para o aumento de mortes não diretamente ligadas a ferimentos de guerra, como as causadas por doenças crônicas.
“Dois terços dos pacientes com esse tipo de doença sofreram uma ou mais interrupções em seu tratamento”, segundo o relatório.
A ONG validou, além disso, o número de mortos do Ministério da Saúde de Gaza – Israel não faz acompanhamento de vítimas civis – que estima em mais de 59 mil palestinos mortos.
“Quando comparamos os nomes coletados em nossa pesquisa com a lista oficial, eles coincidiram em quase 90%”, declarou o médico coordenador do estudo, Wendelin Moser.
Quanto ao nível de destruição no território palestino, a MSF denunciou que apenas 2% das famílias pesquisadas mantiveram suas casas intactas. Enquanto isso, 59% as perderam completamente, 39% sofreram danos parciais e 41% vivem em barracas.
A MSF esclareceu que as condições de vida de seu pessoal não representam a realidade de toda a população da Faixa de Gaza, já que sua equipe tem “melhor acesso” a serviços médicos do que a maioria dos habitantes do território. EFE