Tedros Adhanom Ghebreyesus. EFE/Arquivo/SALVATORE DI NOLFI

OMS pede libertação de funcionário detido em Gaza e critica ataque israelense

Genebra (EFE).- O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu nesta quarta-feira a libertação de um de seus funcionários, detido durante um ataque de forças israelenses em Deir al Balah, no centro de Gaza, que afetou uma residência de trabalhadores da organização.

“A instalação foi atacada, colocando em perigo o pessoal da OMS e suas famílias, incluindo crianças”, indicou em entrevista coletiva o principal responsável pela agência das Nações Unidas, que criticou o fato de que, durante a ofensiva, todos os homens, funcionários ou não da organização, foram algemados, despidos e interrogados.

Tedros também lembrou que, no ataque da última segunda, o principal armazém da OMS na área, onde eram guardados medicamentos e suprimentos vitais, sofreu danos.

“Nossa presença em Gaza foi mais uma vez dificultada, colocando em risco nosso trabalho de manutenção de um sistema sanitário que está em colapso”, criticou o diretor-geral.

“Apesar disso, a OMS e outras agências da ONU permanecem em Gaza e nosso compromisso é firme”, acrescentou Tedros, insistindo que essas organizações devem ser protegidas quando trabalham em zonas de conflito.

O diretor-geral da OMS também lembrou a catástrofe humanitária vivida pela população de Gaza devido ao bloqueio quase total da ajuda humanitária por parte de Israel, o que está provocando desnutrição e a morte de pessoas que tentam desesperadamente acessar os pontos de distribuição de alimentos.

Desde o início do ano, a OMS confirmou ao menos 21 mortes por fome em crianças palestinas menores de 5 anos, e as taxas de desnutrição atingiram 10% em menores e 20% em gestantes ou lactantes, assinalou.

Tedros lembrou ainda que foram relatados até 1.026 assassinatos de pessoas que tentavam obter alimentos desde que, em maio, a polêmica Fundação Humanitária de Gaza – ligada a ex-militares e antigos responsáveis de inteligência americanos, apoiados por Israel – iniciou as operações de distribuição de comida. EFE