Kiev (EFE).- O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, comprometeu-se em seu último discurso à nação a apresentar ao Parlamento do país um novo projeto de lei que mantenha as agências anticorrupção do país livres da influência russa, ao mesmo tempo em que garanta sua independência, uma iniciativa que foi aplaudida pelos embaixadores do G7 em Kiev.
Zelensky anunciou essa iniciativa depois de ter ratificado na terça-feira uma lei adotada no mesmo dia pelo Parlamento, que subordina o Escritório Nacional Anticorrupção (NABU) e a Procuradoria Especial Anticorrupção da Ucrânia (SAP) ao escritório do procurador-geral, cargo nomeado diretamente pelo presidente.
A proposta de Zelensky abre a porta para uma possível retificação de uma lei que provocou os primeiros protestos de rua contra o presidente durante a guerra e levou os parceiros europeus da Ucrânia a expressarem preocupação com a possível deterioração que pode representar para o processo de reformas e luta contra a corrupção no país.
Após participar, com os embaixadores dos demais integrantes do G7, de uma reunião com o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andriy Sybiha, a representante da UE na Ucrânia, Katarina Mathernova, mostrou-se satisfeita com a aparente mudança de postura de Zelensky.
“Conversamos sobre o que está acontecendo e saudamos o anúncio do presidente Zelensky de ontem sobre a reestruturação das instituições anticorrupção e oferecemos consultoria e ajuda”, disse Mathernova em um vídeo publicado nesta quinta-feira em sua conta no Facebook.
O anúncio de Zelensky também foi celebrado como um passo na direção certa pelo NABU, uma das agências anticorrupção afetadas pela reforma.
Menos receptivos do que os embaixadores e o próprio NABU, mostraram-se membros do Centro contra a Corrupção, uma das ONGs mais críticas ao presidente nesta crise.
Segundo o Centro, “essas declarações (de Zelensky) não resolvem de forma alguma o problema” e parecem “outra falsa tentativa de aliviar a tensão”.
A ONG também criticou o fato de Zelensky continuar se referindo à suposta influência russa na NABU.
O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) realizou na segunda-feira dezenas de incursões, classificadas como abusivas pelo NABU, contra detetives dessa agência.
Algumas das buscas foram justificadas pela necessidade de “limpar” a estrutura de agentes russos, e dois de seus detetives de alto escalão foram detidos por suposta colaboração com o inimigo.
O Centro contra a Corrupção vincula essas ações ao processo que está sendo conduzido contra um de seus fundadores, Vitaliy Shabunin, que está sendo investigado pela SAP e por outra agência de investigação ucraniana por descumprir suas obrigações como militar integrado ao Exército.
Shabunin e sua ONG veem a investigação como uma campanha de perseguição política. EFE