Jerusalém (EFE). O Ministério da Saúde do governo do Hamas na Faixa de Gaza registrou mais 14 mortes por fome e desnutrição no enclave nas últimas 24 horas, segundo um comunicado divulgado nesta segunda-feira.
“Isso eleva o número total de mortos pela fome e desnutrição para 147, incluindo 88 menores”, denunciou a pasta da Saúde.
Os números surgem em meio a uma crise de mortes por causas relacionadas à desnutrição na Faixa de Gaza, com cerca de 70 mortos em uma semana, segundo o Ministério da Saúde, devido ao bloqueio de acesso à ajuda no enclave imposto pelas autoridades israelenses.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), que reproduz os dados do Ministério da Saúde de Gaza, assegura que essa crise é “completamente evitável”.
“O bloqueio deliberado e o atraso em grande escala (da entrega) da ajuda alimentar, sanitária e humanitária custou muitas vidas”, denunciou a OMS em comunicado no final do domingo.
Essa agência relatou que em Khan Younis (sul) e no centro do enclave as taxas de desnutrição dobraram em menos de um mês, embora seus números sejam uma “subestimação devido ao difícil acesso e aos obstáculos de segurança que impedem que muitas famílias cheguem aos centros de saúde”.
Em julho, pelo menos 73 crianças foram hospitalizadas em Gaza por desnutrição grave, em comparação com as 39 de junho, destacou a OMS.
As outras vítimas da crise são as mães grávidas ou lactantes, das quais 40% foram diagnosticadas com desnutrição grave (algo que disparou os partos prematuros e as situações em que as mães não podem amamentar seus bebês por falta de nutrientes).
Israel anunciou no domingo o início de “pausas táticas” nos combates em uma faixa junto à costa de Gaza das 10h às 20h, para “propósitos humanitários”. Também disse que garantiria a segurança de várias rotas entre 6h e 23h para facilitar a passagem dos caminhões das organizações internacionais com ajuda.
Questionado pela Agência EFE, o Exército não esclareceu quais são essas rotas. No entanto, as tropas abriram fogo contra a população na passagem de Zikim quando esperavam o acesso de ajuda dentro das horas estabelecidas, causando cerca de dez mortes, segundo as autoridades de saúde locais.
Ao longo do domingo, o governo de Gaza diz que 73 caminhões com ajuda entraram no enclave, a maioria dos quais foram saqueados. Por sua vez, o Exército israelense elevou essa cifra para 120 e assegura que foram distribuídos.
Antes da guerra, cerca de 500 caminhões com ajuda entravam diariamente em Gaza, o que as organizações internacionais já consideravam insuficiente. EFE