Nova York (EFE).- A governadora do estado de Nova York, Kathy Hochul, pediu nesta terça-feira ao Congresso dos Estados Unidos que enfrente e ponha fim à indústria armamentista para acabar com os tiroteios em massa no país, depois que um homem matou quatro pessoas ontem em Manhattan com um rifle de assalto.
“Chegou a hora de agir. O povo americano está cansado de condolências e orações. Eles merecem ação. O Congresso deve criar coragem para enfrentar o lobby das armas e aprovar finalmente uma proibição nacional de armas de assalto antes que mais vidas inocentes sejam perdidas”, afirmou Hochul em um comunicado.
As autoridades afirmaram que o atirador, Shane Tamura, que acabou se suicidando, viajou de carro de Las Vegas até Nova York, onde estacionou seu BMW preto em fila dupla em frente ao prédio de 44 andares na Park Avenue, entre as ruas 51 e 52.
O incidente começou por volta das 18h20 (horário local, 19h20 de Brasília) quando o agressor saiu do veículo com uma arma longa sob o braço, entrou no lobby do prédio e disparou contra o policial que morreu, de 36 anos e com três anos de experiência na corporação.
Posteriormente, atirou em uma mulher e em um segurança. Em seguida, subiu de elevador até o 33º andar e continuou atirando enquanto avançava.
“O assassino usou um rifle de assalto tipo AR-15. A mesma arma de guerra utilizada em tiroteios em massa em todo os Estados Unidos”, acrescentou a governadora do estado de Nova York.
O tiroteio ocorreu em um arranha-céu que também abriga a sede de empresas como o gigante de investimentos Blackstone, os escritórios da NFL – a principal liga de futebol americano dos Estados Unidos – e a empresa de consultoria contábil e financeira KPMG, entre outras.
Este foi o 254º tiroteio em massa registrado nos Estados Unidos em 2025, segundo dados do Gun Violence Archive, que contabiliza este tipo de incidente. A organização considera como tiroteio em massa aqueles em que o número de mortos é de quatro ou superior, sem incluir o atirador.
Kathy Hochul também ordenou que as bandeiras de todos os edifícios governamentais estaduais sejam hasteadas a meio mastro em homenagem ao agente do Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) assassinado, Didarul Islam, e às outras três vítimas do tiroteio de ontem.
Em 2022, a Suprema Corte dos EUA considerou inconstitucional uma norma do estado de Nova York que exigia que os cidadãos demonstrassem uma necessidade “especial” ou uma “justificação adequada” para obter permissão para portar uma arma de fogo fora de casa.
Na decisão, o juiz Clarence Thomas argumentou que o direito a portar armas em público, protegido pela Segunda Emenda, não poderia ser restringido por exigências que impusessem barreiras desnecessárias ou excessivamente rígidas para a obtenção de permissões.
No entanto, essa sentença deu origem a uma série de entraves impostos pelo estado de Nova York para tentar limitar o uso e porte de armas de fogo, e que também foram apelados por grupos pró-armas, que solicitam aos juízes que esclareçam o alcance da decisão do Alto Tribunal.
Atualmente, continua em vigor uma decisão de outubro do Tribunal de Apelações do Segundo Circuito dos EUA, com sede em Nova York, que proíbe portar armas de fogo em público em todo o estado, bem como ocultá-las em propriedades privadas abertas ou em “lugares sensíveis”, como centros de saúde, igrejas, parques, estádios e pontos turísticos como a Times Square, próxima de onde ocorreu o tiroteio ontem.
Essa lei também estabelece o conceito de “boa conduta moral” como ter “o caráter, o temperamento e o discernimento essenciais e necessários para que se possa confiar (a uma pessoa) uma arma e para que ela a utilize unicamente de uma forma que não coloque em risco a si mesma nem aos outros”. EFE