Jerusalém (EFE).- O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, afirmou nesta terça-feira que a criação de um Estado palestino “não vai acontecer” e acrescentou que a ofensiva em Gaza não terminará enquanto o Hamas permanecer no poder, independentemente de “quanta pressão seja exercida sobre Israel”.
Coincidindo com a defesa por parte de França e Arábia Saudita, em Nova York, da solução de dois Estados – um israelense e outro palestino -, Saar declarou em entrevista coletiva: “Estabelecer um Estado palestino hoje é estabelecer um Estado do Hamas, um Estado jihadista. Isso não vai acontecer”.
“Estamos cientes de que, hoje em dia, há países na Europa com enormes populações muçulmanas. Às vezes, isso afeta as políticas de seus governos. Mas isso não pode nem deve levar Israel ao suicídio. Não permitiremos um estado terrorista jihadista no coração de nossa terra ancestral”, disse.
Saar indicou que a pressão diplomática não mudará a política do governo israelense e que “nenhuma força externa fará com que Israel sacrifique sua segurança”.
Para o ministro, a pressão sobre Israel está “sabotando” as chances de um acordo de cessar-fogo com o Hamas, ao provocar, em sua opinião, que o grupo islâmico “endureça sua postura”.
“A pressão internacional não deve recair sobre Israel. Deve recair sobre o Hamas”, apontou, ao opinar que um fim da ofensiva israelense enquanto esse grupo seguir no poder em Gaza seria uma “tragédia para israelenses e palestinos”.
Sobre a crise humanitária na Faixa e a escassez de alimentos devido ao bloqueio imposto por Israel, que levou a ONU a advertir para o grave risco de fome no enclave, o ministro afirmou que “a situação é dura”.
No entanto, acrescentou que o governo israelense “está trabalhando muito arduamente em circunstâncias muito complicadas, desde o início da guerra até hoje, para facilitar a entrada de ajuda humanitária”.
Negou que Israel esteja implementando uma “política de fome” em Gaza e atribuiu ao Hamas a responsabilidade pela situação no enclave palestino.
Segundo o ministro, Israel tem facilitado lançamentos aéreos de alimentos realizados nos últimos dias por países como Emirados Árabes Unidos e Jordânia, e fará o mesmo com outros que demonstraram interesse, como Marrocos, Alemanha e Itália.
Esses lançamentos ocorrem desde o último domingo, quando Israel anunciou “pausas humanitárias” em sua ofensiva militar em alguns pontos de Gaza, o que não impediu que as forças israelenses continuassem atacando a Faixa e deixando dezenas de mortos diariamente (quase 100 no domingo, segundo o Ministério da Saúde de Gaza).
Por terra, Saar assegurou que Israel estabeleceu “corredores humanitários” graças aos quais, segundo ele, 200 caminhões com ajuda entraram na Faixa ontem. Nos últimos dois meses, acrescentou, entraram 5 mil caminhões, um terço dos 15 mil (500 por dia) que as organizações humanitárias consideram convenientes. EFE