Dmitry Peskov. EFE/Arquivo/PAVEL BEDNYAKOV/AP POOL

Kremlin ignora ultimato de Trump e afirma que guerra na Ucrânia prossegue

Moscou (EFE).- O Kremlin afirmou, nesta terça-feira, que tomou nota do novo ultimato anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reduziu para 10-12 dias o prazo para um acordo pacífico do conflito na Ucrânia, e acrescentou que a Rússia pretende continuar a guerra.

“Tomamos nota das declarações feitas na véspera pelo presidente Trump. A operação militar especial continua”, disse Dmitry Peskov, porta-voz presidencial, em entrevista coletiva.

Peskov também não quis comentar as declarações de Trump de que não está interessado em conversar novamente com o mandatário russo, Vladimir Putin, com quem manteve seis conversas telefônicas desde janeiro.

“Preferiria não fazer nenhuma avaliação. Insisto, tomamos ciência das declarações de Trump”, acrescentou.

Ao mesmo tempo, destacou que uma cúpula entre os dois presidentes não está na agenda.

Por sua vez, afirmou que a Rússia continua apoiando o processo de paz para a resolução do conflito na Ucrânia, no qual Moscou busca “garantir seus interesses” nacionais.

Peskov também reconheceu uma “desaceleração” no processo de normalização diplomática entre os dois países, com reuniões bilaterais suspensas desde meados de junho.

Trump anunciou ontem, durante sua visita à Escócia, que reduziria o prazo “para 10 ou 12 dias” devido à falta de compromisso da Rússia com a resolução do conflito e voltou a ameaçar Moscou com sanções e tarifas secundárias.

“Não há razão para esperar. Não estamos vendo nenhum progresso”, disse, sentado ao lado do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.

O presidente americano se mostrou “decepcionado” com Vladimir Putin porque, ao final das “quatro ou cinco” conversas telefônicas que tiveram, “ele lançou foguetes contra cidades, por exemplo Kiev”.

O antigo mandatário russo Dmitri Medvedev advertiu Trump na noite passada que a Rússia não é nem Israel nem Irã.

“Trump está jogando o jogo dos ultimatos com a Rússia: 50 ou 10 dias… Ele deveria se lembrar de duas coisas. 1. A Rússia não é nem Israel nem mesmo o Irã”, escreveu em sua conta na rede social X.

E acrescentou: “2. Cada novo ultimato é um passo em direção à guerra. Não entre Rússia e Ucrânia, mas com seu próprio país”.

Medvedev, vice-chefe do Conselho de Segurança da Rússia, já havia assegurado há duas semanas, quando Trump anunciou seu primeiro ultimato de 50 dias, que “a Rússia não se importa”.

Rússia e Ucrânia retomaram as negociações de paz em 23 de julho em Istambul, após mais de sete semanas de espera, mas não chegaram a nenhum acordo político concreto, assim como aconteceu nas duas rodadas anteriores em maio e junho. EFE