Cairo (EFE).- O presidente do Egito, Abdelfatah Al Sisi, analisou nesta terça-feira que a guerra na Faixa de Gaza “já não tem como objetivo obter ganhos políticos nem libertar os reféns”, ao denunciar que se trata de um “genocídio” destinado a “liquidar a causa palestina”.
“Esta guerra ultrapassou qualquer lógica ou desculpa e se tornou uma guerra de fome e genocídio”, denunciou o presidente egípcio em entrevista coletiva no Cairo, na qual reafirmou o compromisso do Egito de enviar ajuda à Faixa de Gaza, já que Rafah é a única passagem terrestre do território que não faz fronteira com Israel, apesar de as tropas israelenses terem assumido o controle do lado palestino.
Sisi lembrou que é possível entrar e sair do enclave palestino por cinco passagens, quatro das quais fazem fronteira com Israel e a última, a de Rafah, conecta-se ao território egípcio e é por onde entra grande parte da ajuda humanitária, apesar de Israel tê-la bloqueado durante meses até recentemente.
“A passagem de Rafah nunca fechou, não apenas durante a guerra, mas antes, durante os últimos 20 anos. O papel do Egito foi tentar evitar que a situação em Gaza se agravasse, acalmar qualquer possível confronto entre a Faixa e Israel”, acrescentou o presidente egípcio, cujo país é o principal mediador na guerra, junto com Estados Unidos e Catar.
Ele se mostrou “surpreso” com o fato de o Egito ser acusado de impedir a entrada de ajuda na Faixa de Gaza, já que as forças israelenses controlam o lado palestino de Rafah e impedem a entrada de caminhões, além de lembrar que a passagem “foi destruída quatro vezes durante a última guerra”.
“A passagem poderia ter sido aberta para a ajuda humanitária se as forças israelenses não estivessem no lado palestino da passagem. Esse foi o problema, e os esforços com os outros parceiros em Catar e EUA têm como objetivo parar a guerra, entrar com ajuda e libertar os reféns, e isso ainda não foi conseguido”, lamentou.
Nos últimos dias, algumas dezenas de caminhões carregados com ajuda humanitária entraram aos poucos na Faixa de Gaza vindos do Egito, mas Sisi denunciou que, neste momento, há “mais de 5.000 caminhões esperando para entrar” que estão parados em território egípcio, aguardando a aprovação de Israel.
“Mais de 70% da ajuda durante o último período foi fornecida pelo Egito, que nunca abandonou o papel de apoaiador do povo palestino, que está sofrendo um genocídio sistemático na Faixa com o objetivo de liquidar a causa palestina”, afirmou o presidente egípcio. EFE