Bogotá (EFE).- O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, acusou nesta terça-feira o governo do Peru de ter “ocupado” um território colombiano na Amazônia, pois afirma que esse país violou o Protocolo do Rio de Janeiro, que pôs fim à guerra entre os dois países entre 1932 e 1933.
“O governo do Peru ocupou um território que pertence à Colômbia e violou o Protocolo do Rio de Janeiro que pôs fim (ao conflito fronteiriço). O tratado do Rio de Janeiro estabeleceu que a fronteira é a linha mais profunda do rio Amazonas e que qualquer desacordo será resolvido entre as partes”, afirmou Petro na rede social X.
O líder colombiano disse que a origem da disputa são algumas ilhas que, segundo ele, estão localizadas “ao norte da linha mais profunda atual, e o governo do Peru acaba de se apropriar delas por lei e colocar a capital de um município em um terreno que, pelo tratado, deve pertencer à Colômbia”.
“Essa ação unilateral e violadora do tratado do Rio de Janeiro pode fazer desaparecer Leticia como porto amazônico, tirando-lhe sua vida comercial. O governo utilizará, antes de tudo, medidas diplomáticas para defender a soberania nacional”, explicou Petro.
Por essa razão, disse o presidente, a comemoração do Dia do Exército Nacional, que celebra a Batalha de Boyacá, que selou a independência colombiana, será realizada na próxima quinta-feira em Leticia, capital do departamento do Amazonas.
“A comemoração da Batalha de Boyacá, que é a comemoração da independência nacional, será transferida para Leticia”, afirmou Petro, que confirmou assim que esta comemoração não será realizada no departamento de Boyacá, local onde costuma ser realizada, nem em Bogotá, onde o Exército havia informado na segunda-feira que seria realizada.
Problema começou em 2024
Em julho de 2024, o então diretor de Soberania Territorial do Ministério das Relações Exteriores da Colômbia, Diego Cadena, afirmou que a ilha de Santa Rosa, localizada na fronteira amazônica, “não pertenceria ao Peru” e “estaria ocupada irregularmente”, após o que desconheceu a autoridade do prefeito de Santa Rosa, o peruano Iván Yovera.
O governo do Peru apresentou à época um protesto ao encarregado de negócios da Colômbia em Lima e reafirmou “os direitos de soberania e jurisdição sobre a ilha de Santa Rosa”.
No entanto, o então chanceler peruano, Javier González-Olaechea, encerrou a discussão em 15 de julho de 2024, e manifestou “satisfação” com a resposta do governo da Colômbia ao protesto emitido por seu país.
A ilha de Santa Rosa fica perto da tríplice fronteira entre Peru, Brasil e Colômbia, no rio Amazonas, e abriga cerca de 3.000 pessoas que se dedicam principalmente ao comércio. EFE