Bruxelas (EFE).- O ministro da Agricultura da Espanha, Luis Planas, afirmou nesta segunda-feira que “não se deve perder um minuto” no processo de ratificação do acordo de associação entre União Europeia (UE) e Mercosul.
“É uma grande oportunidade, ressaltarei mais uma vez: 700 milhões de pessoas, os quatro países do Mercosul e os 27 da União Europeia; portanto, não se deve perder um minuto para a ratificação”, disse Planas à imprensa em sua chegada a um Conselho de ministros da Agricultura da UE.
O ministro espanhol considerou que o processo de ratificação está avançando com vistas à entrada em vigor provisória da parte do acordo relativa ao comércio de mercadorias.
Planas acrescentou que as medidas de salvaguarda e acompanhamento contidas no acordo respondem “provavelmente a preocupações de algum Estado-membro”, e considerou que são “realmente muito fortes” e “as maiores já estabelecidas em qualquer acordo comercial”.
“Acredito que, neste momento, ninguém mais tem desculpa para não ratificar o acordo com o Mercosul”, concluiu.
Planas também mencionou que, neste Conselho, os ministros europeus abordarão a situação de outros acordos comerciais, como o pacto fechado com os Estados Unidos.
Apesar da Espanha ter apoiado esse pacto e de ele ser uma “alternativa a um vácuo que poderia representar a pior tarifa, que é sempre a incerteza”, reconheceu que, “sinceramente, não gostamos”.
“Mas temos que estar lá e, logicamente, tentar defender nossos interesses”, ressaltou.
Nesse contexto, apontou que, no caso da Espanha, apenas 5% de suas exportações agroalimentares são afetadas, entre as quais se incluem o azeite de oliva e o vinho.
“Incentivamos a Comissão Europeia a prosseguir para tentar chegar a um acordo de tarifa zero” para esses produtos, acrescentou.
A possibilidade de que o acordo UE-Mercosul possa ser assinado na cúpula que os chefes de Estado do Mercosul realizarão em Brasília em dezembro ganhou força após a decisão anunciada pela Comissão Europeia de que as disposições comerciais do pacto possam entrar em vigor primeiro.
O pacto provisório, segundo a Comissão Europeia, permitirá aplicar “o mais rápido possível” a parte comercial do acordo com o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), o que torna possível completar sua ratificação sem que tenha que ser aprovado individualmente por cada Estado-membro.
O pacto interino será substituído mais adiante pelo acordo completo, já com as disposições políticas, que então sim terá que ser referendado individualmente por cada Estado-membro. EFE