Genebra (EFE).- A guerra na Faixa de Gaza causou ferimentos graves, permanentes ou que requerem longos períodos de reabilitação, em 42 mil pessoas, incluindo 5.000 amputações, revelou um relatório divulgado nesta quinta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS) poucos dias antes de se completar dois anos de conflito.
Um quarto dos mais de 167 mil feridos desde o início da ofensiva de Israel em outubro de 2023 sofreu lesões que alteraram significativamente suas vidas, de acordo com o relatório apresentado em entrevista coletiva pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Entre as lesões registradas, as mais comuns são as sofridas nas extremidades (cerca de 22 mil), na medula espinhal (2.000) e no cérebro, enquanto ocorreram cerca de 3.300 queimaduras graves e também foram frequentes ferimentos faciais e oculares complexos que muitas vezes causam desfiguração, deficiência e estigma social.
A OMS não especificou quantas crianças sofreram essas lesões graves, embora números anteriores da Agência das Nações Unidas para Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) tenham falado em até 4.000 amputações em menores.
Na entrevista coletiva desta quinta-feira, o especialista em reabilitação da OMS, Pete Skelton, admitiu que “há um número particularmente alto de amputações entre crianças menores de cinco anos”.
O relatório foi elaborado com dados das 22 equipes de emergência apoiadas pela OMS na Faixa de Gaza, do Ministério da Saúde do território palestino e de outros colaboradores importantes do órgão, que lembrou mais uma vez que o sistema de saúde na região continua à beira do colapso, com apenas 14 dos 36 hospitais em funcionamento.
Muitas das lesões registradas requerem uma reabilitação cada vez mais difícil em um território onde muitos dos 1.300 fisioterapeutas e 400 terapeutas ocupacionais que existiam antes do conflito foram forçados a deixar suas casas, e pelo menos 42 morreram no decorrer das operações militares israelenses.
“Gaza tem atualmente apenas oito especialistas em próteses para fabricar e ajustar membros artificiais”, lamentou a OMS, cujo diretor-geral também lembrou que, em quase dois anos de conflito, 1.800 profissionais do setor de saúde e mais de 500 trabalhadores humanitários morreram.
“As explosões que causaram muitas dessas lesões também destroem instalações e serviços de saúde necessários para tratá-las”, enfatizou Tedros, que destacou que, em dois anos de ataques, a OMS verificou 1.719 ataques sofridos pelo sistema de saúde em Gaza e Cisjordânia, que causaram mais de mil mortes e 1.800 feridos.
Muitas lesões graves, num contexto de condições insalubres, doenças e stress extremo e contínuo, exigem que as vítimas recebam cuidados médicos especializados fora de Gaza, explicou Tedros, além de lembrar que 7.800 pacientes foram retirados do território desde outubro de 2023, mas outros 15.600 continuam à espera, incluindo 3.800 crianças.
Tedros aproveitou a coletiva para dar as boas-vindas ao plano de paz para a Faixa de Gaza proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de tentar pôr fim a um conflito que “devastou o sistema de saúde e infligiu um enorme sofrimento aos palestinos”. EFE