Tropas israelenses realizam uma operação na Faixa de Gaza nesta quarta-feira.. EFE/Exército israelense

Hamas confirma “acordo de trégua humanitária temporária” de 4 dias com Israel

Rafah (EFE).- O Hamas confirmou nesta quarta-feira “um acordo de trégua temporária” com Israel durante quatro dias, mediado pelo Egito e pelo Catar, depois de o governo israelense ter anunciado ontem que aceitou o pacto com o grupo islâmico em troca da libertação de 50 reféns mantidos em cativeiro na Faixa de Gaza.

Segundo detalhou o grupo, o acordo envolve a cessação temporária das ações militares israelenses e a entrada em Gaza de ajuda humanitária, suprimentos médicos e combustível, bem como a libertação de 150 mulheres e crianças palestinas presas em Israel em troca da libertação de 50 mulheres e crianças que foram capturadas pelas milícias de Gaza no ataque a Israel em 7 de outubro.

“Depois de negociações difíceis e complexas durante muitos dias, anunciamos, com a ajuda e o sucesso de Deus Todo-Poderoso, que alcançamos um acordo de trégua humanitária (cessar-fogo temporário) por um período de quatro dias, com os esforços persistentes e apreciados de Catar e Egito”, disse o Hamas em comunicado.

Ainda de acordo com o grupo, o pacto representa “um cessar-fogo de ambos os lados, a cessação de todas as atividades militares do Exército de ocupação (Israel) e a cessação do movimento dos seus veículos militares que entram em Gaza”.

O pacto prevê também “o acesso de centenas de caminhões com ajuda humanitária, ajuda médica e combustível a todas as áreas da Faixa”, tanto no norte como no sul.

“Durante o período de trégua, a ocupação compromete-se a não atacar nem fazer detenções em todas as zonas da Faixa de Gaza”, acrescentou o Hamas, após 47 dias de guerra que provocaram uma grave crise humanitária e causaram devastação no enclave palestino.

Durante os dias de trégua, Israel deverá paralisar o “tráfego aéreo no sul” de Gaza e só poderá voar no norte da Faixa durante seis horas por dia, entre 10h e 16h.

Além disso, Israel se compromete a “garantir a circulação de pessoas ao longo da Avenida Salahedin, principal artéria que atravessa Gaza de norte a sul, e por onde ocorreram evacuações nas últimas semanas”.

A confirmação do Hamas acontece depois de Israel ter aprovado na terça-feira um acordo com o objetivo principal de libertar os seus reféns em Gaza, depois de milicianos palestinos terem raptado mais de 240 pessoas em 7 de outubro.

Enquanto são aguardados os termos do acordo, que o Catar deve anunciar nas próximas horas, informações vazadas na imprensa israelense apontam que o pacto inclui a libertação de um mínimo de 50 reféns, a maioria crianças e suas mães, com a possibilidade de que o número seja estendido para 80.

O Hamas levará os reféns para o Egito pela passagem de Rafah em grupos diários de cerca de dez pessoas e, de lá, eles serão entregues a Israel.

Por sua vez, Israel deve libertar cerca de 150 prisioneiros palestinos, também em sua maioria mulheres e menores de idade que não foram condenados por crimes de sangue.

O grupo islamita Jihad Islâmica, que mantém cerca de 30 reféns em Gaza, também confirmou “a concretização de um acordo parcial de troca de prisioneiros” com Israel.

Em um comunicado, o movimento esclareceu que os reféns “não civis” sob poder das milícias “não obterão a liberdade até que todos os prisioneiros palestinos sejam libertados”. EFE