Moscou (EFE).- O mundo multipolar é um fato consumado, declarou nesta quinta-feira o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ao enumerar os benefícios e desafios da nova ordem mundial durante discurso no Clube de Debate Valdai, realizado na cidade balneária de Sochi, no mar Negro.
“A multipolaridade já consumada define os limites em que os Estados funcionam”, afirmou o mandatário russo, ao sinalizar que o tema da nova ordem multipolar “merece atenção especial”.
Explicou que a particularidade dessa nova ordem mundial é sua abertura, o espaço criativo para a “conduta em matéria de política externa”.
“Praticamente nada é predefinido. Tudo pode acontecer de diversas maneiras. Muito depende da exatidão, precisão, coerência e reflexão das ações de cada participante do diálogo internacional”, avaliou, ao apontar que as relações multipolares são “muito dinâmicas”.
“As mudanças acontecem rapidamente, às vezes de forma inesperada, é difícil estar preparado para elas. É preciso reagir imediatamente”, disse.
Destacou que, atualmente, “as particularidades culturais, históricas e civilizacionais dos diferentes países desempenham um papel mais importante do que em todos os tempos anteriores”.
“É preciso buscar pontos de contato e coincidência de interesses. Ninguém mais quer jogar com regras criadas por alguém muito distante, do outro lado do oceano”, acrescentou.
“Não importa quão grande seja o potencial acumulado por um país ou um grupo de países, todos os poderes têm limites”, advertiu Putin, além de ressaltar que a força sempre responde à força.
Acrescentou que “paradoxalmente, a multipolaridade foi uma consequência direta das tentativas de estabelecer e manter a hegemonia global, uma resposta do sistema internacional e da própria história à aspiração insistente de ordenar todos em uma única hierarquia liderada pelo Ocidente”.
Putin se recusou a formular receitas ou instruções para a construção de uma nova ordem, ao dizer que todas as instruções, todos os conselhos, só são dados para que depois não sejam seguidos.
“Permitirei-me expressar minha opinião sobre o que está acontecendo no mundo, em que se baseia e qual é o papel do nosso país, como vemos as perspectivas de desenvolvimento”, afirmou.
“Nenhum de nós pode, naturalmente, prever o futuro em sua totalidade, mas isso não nos isenta da responsabilidade de estarmos prontos para tudo o que pode acontecer. Na prática, como mostram os últimos acontecimentos, é preciso estar pronto para tudo”, finalizou. EFE