Ancara (EFE).- A União Europeia (UE) está considerando suspender as sanções impostas à Síria durante o regime do deposto Bashar al Assad “somente se houver uma transição pacífica”, enquanto pretende enviar novos fundos à Turquia para atender refugiados sírios, segundo disse nesta terça-feira em Ancara a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
“Seguimos uma tática de ir passo a passo. Planejamos suspender as sanções, mas somente se for realmente constatada uma transição pacífica no país”, afirmou von der Leyen durante uma coletiva de imprensa ao lado do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.
A política alemã também confirmou que a UE planeja transferir 1 bilhão de euros (cerca de R$ 6,4 bilhões) para Ancara este ano como parte de seu apoio à Turquia para atender milhões de refugiados sírios em seu território.
Nesse sentido, acrescentou que esses fundos podem ser usados para a gestão das fronteiras e para incentivar o retorno de refugiados à Síria.
De qualquer forma, ressaltou que esse retorno deve ser sempre “voluntário, seguro e digno”.
Von der Leyen elogiou a Turquia por assumir consistentemente suas responsabilidades em acolher refugiados e lembrou que, ao longo dos anos, a UE transferiu quase 10 bilhões de euros (cerca de R$ 64,4 bilhões) a Ancara para ajudar nessa tarefa.
A presidente da Comissão também advertiu que “o risco de um ressurgimento do Estado Islâmico no leste da Síria é real”, ao mesmo tempo em que enfatizou que a Turquia “deve desempenhar um papel essencial na estabilização da região”.
Erdogan, por sua vez, insistiu que “não há lugar na Síria para o Estado Islâmico, nem para o PKK com suas ramificações”, referindo-se à milícia curdo-síria YPG, que Ancara considera terroristas por seus vínculos com o proibido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), o grupo guerrilheiro curdo na Turquia.
“A Turquia é o único país da Otan que derrotou ambos os grupos terroristas no terreno e ocupa uma posição-chave”, disse Erdogan à imprensa, em um pronunciamento que não foi aberto a perguntas.
Von der Leyen não fez referência à YPG, apenas enfatizando que a transição deve ser “pacífica, mantendo as instituições estatais, refletindo a diversidade do país e protegendo as minorias”.
Por outro lado, prometeu que a UE irá colaborar neste processo, enviando diplomatas para Damasco, onde já tem equipes humanitárias, para interagir com a “Tahrir al-Sham (a milícia islâmica que derrubou o regime) e outras facções”, uma tarefa à qual Bruxelas destinou 160 milhões de euros (cerca de R$ 1,02 bilhão) para o ano em curso, segundo disse.
Uma ponte aérea também está sendo montada e os primeiros suprimentos humanitários chegarão à Síria esta semana, anunciou von der Leyen. EFE