Rafael Mariano Grossi. EFE/Arquivo/CHRISTIAN BRUNA

Diretor da AIEA não exclui possibilidade de “uma guerra nuclear no Oriente Médio”

Buenos Aires (EFE).- O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou nesta quarta-feira que “não pode ser excluída” a possibilidade de uma guerra nuclear no Oriente Médio.

“A existência do fator de armas nucleares tem sido um fator latente que está nos bastidores, mas que desempenha um papel indubitável”, disse Grossi, ao ser entrevistado durante encontro anual da Associação Cristã de Líderes Empresariais, em Buenos Aires.

O diplomata explicou que diante da “multiplicidade de países árabes que buscam adquirir armas nucleares, está seu inimigo, neste caso Israel, que tem uma posição chamada opacidade em relação às armas nucleares”.

Grossi mencionou também a situação atual no Irã (país não árabe), mas também o que aconteceu em três países árabes como Síria, Iraque e Líbia.

Em relação a Israel, lembrou que este país “não afirma nem nega possuir armas nucleares, mas há uma presunção muito forte de que assim seja”.

“É claro que nos bastidores o fator das armas nucleares desempenha um papel muito importante”, disse Grossi, a propósito da crise no Oriente Médio.

Em relação à guerra em Gaza, iniciada em 7 de outubro do ano passado, Grossi destacou que “felizmente” houve um ministro em Israel que foi “desautorizado” – em relação ao antigo ministro do Patrimônio Amichai Eliyahu, hoje fora do governo – após ter afirmado que o problema poderia ser resolvido com o lançamento de uma bomba nuclear.

“Isso revela o quão próximo o fator nuclear está da superfície”, frisou.

O diplomata argentino descreveu que no Oriente Médio “existe uma situação muito peculiar, muito singular”, que descreveu como um conflito “de enorme complexidade” e que continua “sem interrupções” desde 1948. EFE