Luiz Inacio Lula da Silva. EFE/Antonio Lacerda

Lula critica ameaça de Trump e defende soberania do BRICS

Rio de Janeiro (EFE).- O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta segunda-feira que os países do BRICS são soberanos e não desejam ter um “imperador”, ao ser questionado sobre a ameaça proferida por seu homólogo americano, Donald Trump, de impor tarifas adicionais de 10% a quem apoiar as políticas anti-americanas deste fórum de emergentes.

“O mundo mudou. Não queremos um imperador. Somos países soberanos”, afirmou Lula, na entrevista coletiva concedida após a conclusão da cúpula dos países do BRICS, no Rio de Janeiro.

O petista assegurou que não deveria comentar as ameaças de Trump porque considera algo “irresponsável e incorreto” que o presidente de um país do tamanho dos Estados Unidos ameace os outros por meio da internet.

“Me parece equivocado e irresponsável que um presidente de um país ameace os outros nas redes digitais. Há outros fóruns em que um presidente de um país do tamanho dos Estados Unidos pode falar com os outros”, disse.

Acrescentou que, se Trump considera que pode impor tarifas adicionais, o resto dos países também tem o direito de fazê-lo, pois existe a lei da reciprocidade.

Lula afirmou que os líderes de todo o mundo devem aprender a respeitar os outros e a compreender o significado da palavra soberania.

“Cada país é dono do seu nariz”, completou.

As ameaças de Trump também foram rechaçadas em Moscou e Pequim por porta-vozes dos governos de China e Rússia, as duas maiores potências do BRICS, que esclareceram que o fórum das economias emergentes não nasceu para se contrapor a nenhum outro país.

Em mensagem publicada em sua rede social, o presidente americano advertiu que as nações que se “alinhem com as políticas anti-americanas do BRICS” deverão pagar a tarifa adicional e avisou que “não haverá exceções”.

Os líderes do grupo, reunidos desde ontem no Rio, divulgaram a declaração final da cúpula, na qual rechaçaram o protecionismo comercial e condenaram os bombardeios ao Irã, mas evitaram um choque frontal com Trump, apesar de ele sempre ter estado presente nas entrelinhas.

“Expressamos sérias preocupações pelo aumento de medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais que distorcem o comércio”, assinalou o documento, sem nenhuma menção direta a Trump ou aos EUA sobre os temas mais espinhosos.

Esta não é a primeira vez que o republicano ameaça o BRICS, formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e, agora, com seis novos membros: Egito, Irã, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Arábia Saudita e Indonésia.

Trump já ameaçou impor uma tarifa de 100% aos parceiros do fórum se estes ousarem desafiar a hegemonia do dólar no comércio internacional. EFE