Jerusalém (EFE).- O número de mortos na guerra que Israel mantém na Faixa de Gaza há quase nove meses ultrapassou nesta quinta-feira os 38 mil, em sua maioria mulheres e crianças, somando 58 habitantes de Gaza mortos e 179 feridos no último dia.
O Ministério da Saúde, controlado pelo Hamas, divulgou hoje a sua contagem diária de novas vítimas em hospitais e necrotérios no devastado enclave palestino; atingindo a cifra de 38.011 mortos e 87.445 feridos desde 7 de outubro do ano passado.
A estes números devem ser adicionados outros 10 mil corpos que se estima permanecerem sob toneladas de escombros ou em áreas inacessíveis a ambulâncias ou equipes de resgate, devido a bloqueios ou intensos ataques israelenses em todo o enclave palestino.
Equipes da Defesa Civil recuperaram hoje os corpos de cinco habitantes de Gaza, incluindo algumas crianças, na sequência de um bombardeio israelense contra uma escola que abriga pessoas deslocadas no bairro de Al Daraj, na cidade de Gaza, onde o Exército de Israel está concentrando seus ataques.
Também na capital de Gaza, de madrugada, outros quatro civis foram mortos e outros oito ficaram feridos no bombardeio de combatentes israelenses contra uma casa no bairro de Al Tuffah, a leste da cidade, noticiou a agência de notícias palestina “Wafa”.
Nestes nove meses de bombardeios, ataques terrestres, fome e doenças, nove em cada dez habitantes de Gaza foram deslocados à força das suas casas ao menos uma vez, alguns “até nove ou dez vezes”, detalhou ontem Andrea De Domenico, diretor dos territórios palestinos do Escritório de Assuntos Humanitários da ONU.
Conforme relatado hoje por fontes médicas, os geradores que mantêm em funcionamento o Hospital Naser, na cidade de Khan Yunis, no sul do país, o único centro principal nesta área após o Hospital Europeu ficou fora de serviço, podem se esgotar nas próximas horas devido à falta de combustível.
Apenas 15 dos 36 hospitais da Faixa de Gaza permanecem ativos de forma parcial, segundo dados do Ministério da Saúde, e enfrentam uma grave escassez de trabalhadores e de material médico, incluindo anestesia e antibióticos.
Cerca de 500 membros do setor da saúde foram mortos nesta guerra, enquanto centenas de outros ficaram feridos e cerca de 310 foram detidos, segundo dados do Ministério.
No total, cerca de 130 ambulâncias foram destruídas na guerra em curso, que este fim de semana completará nove meses, sem um fim próximo e com uma devastação sem precedentes.
Por seu lado, o Exército israelense disse ter eliminado dezenas de militantes no último dia e destruído 50 “alvos” na Faixa em referência a túneis, armas e infraestruturas.
No bairro de Shujaiya, também na Cidade de Gaza, alegaram ter eliminado dezenas de supostos militantes “em combates corpo a corpo, com disparos de tanques e ataques aéreos”, segundo um comunicado militar.
Tanto em Rafah como no centro do enclave palestino, as Forças Armadas também alegaram ter matado milicianos em ataques aéreos, enquanto fontes palestinas relataram ataques contra o noroeste do campo de refugiados de Nuseirat, o leste da cidade de Khan Yunis e o centro da cidade de Rafah. EFE