EFE/MOHAMMED SABER

Israel mata 45 pessoas em ataques aéreos contra 2 escolas e outros pontos de Gaza

Cidade de Gaza (EFE).- Pelo menos 45 pessoas foram mortas desde a noite passada na devastada Faixa de Gaza, em novos bombardeios israelenses que atingiram duas escolas convertidas em abrigos para deslocados e outros pontos no norte e no centro do enclave palestino, segundo confirmaram fontes médicas à Agência EFE.

Na escola Al Hurriya, localizada no bairro de Zeitun, a sudeste da Cidade de Gaza, que abrigava deslocados, pelo menos quatro pessoas morreram após um ataque lançado por Israel.

Na cidade de Jabalia, também ao norte, a escola Halawa foi bombardeada por forças israelenses, resultando em mais quatro mortes.

Além disso, também foram relatados ataques israelenses contra outras três escolas no norte e no leste da Cidade de Gaza. Segundo fontes locais, duas delas, Al Falah e Yafa, receberam aviso prévio dos bombardeios, mas não houve vítimas. Na escola Fahd Al Sabah, não houve aviso prévio, e o ataque deixou vários feridos.

Outros sete moradores de Gaza foram mortos no bombardeio lançado contra um grupo de civis no campo de refugiados de Al Shati, segundo informou o Hospital Al Shifa.

Na cidade de Jabalia, mais 17 pessoas morreram após um ataque aéreo atingir duas casas pertencentes à família Al Sadiq.

Os ataques israelenses contra o norte da Faixa de Gaza se intensificaram nas últimas horas, depois que ontem, domingo, o Exército ordenou novamente o deslocamento forçado de moradores de alguns bairros da capital de Gaza e de Jabalia, antes de novos ataques.

Mortos na distribuição de ajuda humanitária

No centro do enclave, o Hospital Al Awda, no campo de refugiados de Nuseirat, confirmou a chegada de um morto e mais de 20 feridos após um ataque enquanto aguardavam a distribuição de alimentos na área central de Wadi Gaza.

Além disso, mais duas pessoas foram mortas e dez ficaram feridas em ataques no ponto de distribuição da Fundação Humanitária para Gaza (GHF) em Rafah, de acordo com o Hospital de Campanha da Cruz Vermelha.

Por fim, outras dez pessoas foram mortas após o ataque a um armazém de distribuição de alimentos no bairro de Zeitun, na Cidade de Gaza, segundo fontes do Hospital Ahli Bautista.

Testemunhas locais também relataram que um mercenário americano, encarregado de proteger esses controversos pontos de distribuição de alimentos, atirou na cabeça de um jovem de Gaza enquanto ele aguardava ajuda em frente ao posto de Netzarim.

Desde a imposição desse modelo de distribuição por meio de empreiteiros da GHF, apoiados por Israel e pelos Estados Unidos, no final de maio, mais de 580 moradores de Gaza foram mortos e quase 4.200 ficaram feridos perto desses pontos de distribuição ou dos poucos caminhões da ONU, que são frequentemente saqueados.

O jornal israelense “Haaretz” confirmou há alguns dias que soldados israelenses têm a permissão de seus comandantes para atirar em palestinos desarmados nos arredores desses centros, mesmo que não representem nenhuma ameaça às tropas, de acordo com uma investigação baseada em depoimentos de militares alocados nessas áreas. EFE