Dmitry Peskov. EFE/Arquivo/ALEXANDER ZEMLIANICHENKO/POOL

Kremlin diz não acreditar que Rússia e Ucrânia cheguem a acordo no prazo de Trump

Moscou (EFE).- O Kremlin colocou em dúvida nesta sexta-feira que a Rússia e a Ucrânia cheguem a um acordo no prazo estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou Moscou com sanções e tarifas secundárias se não selar a paz com Kiev em 50 dias.

“É possível completar um processo tão complicado em 30 dias? É óbvio que dificilmente”, disse o porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, em sua coletiva de imprensa telefônica diária.

Trump anunciou seu ultimato em 14 de julho, o que – teoricamente – deixaria pouco mais de um mês para o fim do prazo.

Peskov lembrou hoje que os projetos de memorandos apresentados por ambos os lados nas negociações em Istambul “são diametralmente opostos” e insistiu que é quase impossível “aproximar” posições “da noite para o dia”.

“Para isso é preciso um trabalho diplomático muito complexo”, assinalou.

Além disso, descartou novamente uma cúpula no final de agosto entre os presidentes russo, Vladimir Putin, e ucraniano, Volodymyr Zelensky, já que tal reunião deveria colocar “ponto final” ao acordo.

“É impossível fazer o contrário”, ressaltou.

A delegação ucraniana propôs na quarta-feira, durante a terceira rodada de negociações em Istambul, que Zelensky e Putin se reúnam no final de agosto na presença de Trump e do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

O negociador-chefe russo, Vladimir Medinski, já havia descartado em Istambul uma possível cúpula entre os líderes de ambos os países sem antes fechar um acordo de paz.

“Na verdade, nessa reunião não é preciso discutir o acordo, mas sim finalizá-lo, assiná-lo. Reunir para, do zero, discutir tudo de novo, não faz sentido”, declarou. EFE